Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil
Enviada em 13/01/2021
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retrata uma sociedade perfeita na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa no hodierno panorama brasileiro é o oposto do que o autor prega, uma vez que o abuso sexual infantil, sobretudo, observado nas áreas mais pobres do país, apresenta barreiras, as quais dificultam os planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto do descaso parental para com o cuidado dos filhos quanto da negligência governamental em relação às vítimas.
Em primeiro lugar, é imperativo ressaltar que a terceirização do cuidado dos filhos é um importante promotor do problema. Isso porque, mediante a necessidade de trabalhar, os pais acabam deixando seus filhos sob cuidados de outra pessoa, e é aí onde mora o perigo, já que muitas vezes essa pessoa pode ser um agressor. Esse fato se evidencia, por exemplo, em uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, que constatou que 27,6% dos agressores são amigos ou conhecidos da família. Tendo isso em vista, é de suma importância que medidas sejam feitas para reverter esse quadro.
Outrossim, é fulcral pontuar que a perpetuação da violência sexual em crianças, deriva, ainda, da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais ocorrências. Mecanismos como a propagação em massa de informações sobre como se prevenir, como identificar os agressores, ou, ainda, como ajudar as crianças a denunciar seus agressores, ajudariam substancialmente no combate ao empecilho. De acordo com o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no país. Ora, se um governo se omite diante de uma questão tão importante, entende-se, assim, o porquê de sua continuação. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater o abuso sexual infantil. Para tanto, cabe ao Governo Federal, por intermédio do Ministério da Educação, reformular políticas de conscientização, como por exemplo, palestras nas escolas para os pais, a fim de instruir-los sobre como identificar os sinais de uma criança agredida, e também, possuir no mínimo um profissional da pscologia no ambiente escolar, para conversar com os alunos e orientar-los a denunciar possíveis maus tratos. Além disso, é necessário que o Governo lance mão dos meios midiáticos, como as emissoras televisivas, para a divulgação de campanhas contra a problemática, com o intuito de que mais pessoas compreendam questões relativas ao tema e se tornem mais atuantes no combate ao abuso infantil. Dessa forma, atenuar-se-á, a médio e longo prazo, o impacto nocivo do problema, e a coletividade poderá alcançar a Utopia de More.