Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil

Enviada em 18/02/2021

Na obra “O grito”, do pintor Edvard Munch, a figura andrógina é encontrada em um momento de angústia e tristeza, podendo ser associada ao sentimento presente em crianças, brasileiras, vítimas de abuso sexual infantil. Entretanto, apesar de expressado na obra, o sentimento de desespero e alerta não é revelado, na maioria das vezes. Com isso, há uma dificuldade em identificar, portanto, e combater tal cenário mórbido. Por isso, a sociedade deve atentar-se aos alertas, a fim de cessar tais acontecimentos, assim como o governo, visto que é um problema de saúde pública.

Em primeira análise, no documentário “Um crime entre nós”, do qual Luciano Hulk fez parte, são apresentadas crianças que são abusadas, continuamente, dentro de suas próprias residências e, posteriormente, nas ruas. Tal cenário revela que o abuso sexual deixa cicatrizes que, muitas vezes, determinam o futuro da vítima, pois muitas se veem sem perspectiva de vida, submetendo-se à prostituição. Paralelamente a isso, a filósofa Hannah Harendt disserta sobre a “banalidade do mal” que se revela quando a violência é negligenciada pela sociedade e, até mesmo, pelos próprios pais da criança, já que muitas mães, ao saberem da violência cometida pelo pai ou padrasto, não denunciam. Portanto, a falta de denúncia é um fator que contribui para a persistência de tal problema.

Em segunda análise, é preciso discutir sobre os efeitos que a falta de apoio, frente à situação de abuso, causa na criança. Para isso, o Projeto Tartanina fez um livro infantil, o segredo de Tartanina, a qual carregava um baú, representação do segredo, que ficava cada vez maior e mais pesado, o que a deixava muito triste. Tal segredo era sobre o “Polvo Mal”, que havia tirado fotos suas sem seu casco, violando sua privacidade. Nessa perspectiva, a tartaruga só tirou o peso do baú de si, ao compartilhar o segredo com uma amiga de confiança. Dessa forma, o livro é um alerta para as situações de risco, assim como para a importância de compartilhar as situações que lhe acontecem, com a finalidade de que o abuso seja contido.

Em suma, urge que tal esfera infeliz seja reformulada e que, pois, o abuso sexual infantil fique apenas na ficção. Para isso, o governo federal deve, por meio de verbas governamentais, distribuir literaturas como a descrita, aos pais e às creches, para que cheguem até às crianças, a fim de que elas se concientizem e divulguem qualquer desvio comportamental de outra pessoa, desde o olhar até ao toque.  Desse modo, os Polvos maus deixaram de ser um peso para os indivíduos e estarão apenas em histórias.