Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil

Enviada em 25/02/2021

“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Essa afirmação atribuída a escritora francesa Simone de Beauvoir pode ser facilmente aplicada ao contexto dos desafios associados no combate ao abuso sexual infantil no Brasil. Em razão de que, mais espantoso do que a barbárie do abuso é a banalidade com que essa situação é tratada no país. Ademais, pode-se destacar a sexualização de crianças e adolescentes, e a negligência familiar como impasses para o combate da problemática em questão.

Dessa forma torna-se evidente que a erotização e adultização infantil se torna um grande desafio para o combate dos abusos. A adultização é a inserção precoce da criança no mundo do adulto, gerando o encurtamento da infância. A exemplo disso, pode-se citar a cantora mirim Mc Melody a qual desde o início de sua carreira foi retratada como uma adulta além de que, em seus clipes era constantemente sexualizada por meio do excesso de maquiagem, poses sensuais e ‘lingeries’, prejudicando sua passagem pela infância.

Além disso, percebe-se a negligência familiar como um dos desafios para supressão do abuso sexual sofrido por crianças e adolescentes. Isso ocorre devido a impercepção da família aos sinais de possíveis violações sofridas pelos jovens. O caso que ocorreu no Espírito Santo, da criança de dez anos que engravidou do tio após ser molestada por anos exemplifica a gravidade da negligência familiar. Já que as violações sofridas pela menina só foram vir a público após ida da garota ao hospital com queixas de dores abdominais.

Portanto, para que haja o combate efetivo do abuso  infantil no Brasil é necessário que o Estatuto da Criança e do Adolescente em conjunto com o Ministério da Saúde promovam palestras  nas escolas e comunidades com o intuito de alertarem sobre os sinais psicológicos fornecidos por uma criança abusada. Além disso, deve-se também combater a sexualização infantil por meio da desconstrução da adultilização de jovens.