Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil
Enviada em 25/02/2021
Observando o cenário brasileiro atual, nota-se que há um grande problema sendo, felizmente, mais debatido e reconhecido pela sociedade, em comparação às épocas anteriores: o abuso sexual infantil. Sendo esta uma questão dificilmente combatida, uma vez que, em tempos modernos, onde aparelhos eletrônicos tornam a mídia digital acessível à maioria da população, incluindo criminosos, as investigações policiais necessárias em muitos destes casos são obstaculizadas, exatamente por esta facilidade em arquivar, ocultar e transferir conteúdo pornográfico infantil com baixa possibilidade de detecção. Além da exploração sexual de crianças e adolescentes por meio da internet, ainda enfrentamos uma questão semelhante de forma presencial, jovens sendo estuprados por meio de chantagens emocionais, ameaças ou mesmo da força, o que, muitas vezes, gera uma série de problemas psicológicos para as vítimas.
São vários os fatores que dificultam o combate a este crime, entre eles, o principal é a subnotificação. Pelo medo de serem julgados ou feridos, em função do abuso psicológico feito pelos agressores, boa parte dos jovens abusados opta por não relatar a violência sofrida aos pais ou às autoridades, impossibilitando a resolução do problema. O isolamento ocasionado pela pandemia de coronavírus é outro empecilho para que as denùncias sejam feitas, levando muitas vítimas a permanecerem caladas e sem esperança de sair dessa situação. Em alguns casos, essa descrença acaba levando ao suicídio.
Por mais revoltante que seja, a maioria dos crimes de abuso sexual infantil ocorre em ambiente doméstico, por parte dos próprios familiares ou pessoas em comum com a criança violentada. Esse fato é bem retratado no livro Lolita, de Vladimir Nabokov, que conta a história de um homem que casa-se com uma mulher, com o objetivo de ter relações com a filha dela. Segundo o Ministério da Saúde, somente 30,8% destes acontecimentos tiveram locais não residenciais como cenário da agressão, evidenciando que os jovens não estão seguros apenas por estarem sob a guarda de seus parentes.
Em tempos de pandemia, pouco se pode fazer, presencialmente, para combater o problema. Portanto, se faz necessária a criação de programas digitais que incentivem crianças e adolescentes a relatarem possíveis abusos sofridos, tranquilizando-as em oposição às ameaças dos agressores. Juntamente, o Ministério da Educação deve implementar a educação sexual nas escolas brasileiras para elucidar os jovens a respeito de seus direitos, bem como ajudar a reconhecer a violência sofrida, o que ainda é um desafio em casos de vítimas muito novas. Assim, será possível amenizar o abuso sexual infantil, preservando a integridade física e mental das crianças brasileiras.