Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil

Enviada em 14/03/2021

No livro " O garoto no convés", o menino John sofre diversos abusos, entre eles, a violência sexual. Não distante da ficção, no Brasil, existem desafios que dificultam o combate do abuso infantil. Nesse sentido, cabe a reflexão acerca da influência da ausência de educação sexual nos centros educacionais para a persistência desse cenário e, as  consequências que esse problema pode trazer para a saúde dos menores.

Em primeiro plano, situações de abuso podem ser favorecidas pela ausência de educação sexual nas escolas. Nesse sentido, na série “Sex Educacion” é abordado o quanto educar sexualmente é importante para desenvolver uma consciência sobre o próprio corpo e dos seus direitos sobre ele. Sob essa ótica, compreende-se que a ausência de conscientização sexual nas instituições de ensino  e, consequentemente, a total ignorância sobre o corpo durante a infância, resulta em uma maior dificuldade no processo de autodefesa em relação aos abusos e leva a criança à crença de não ter a quem, nem porquê, pedir ajuda. Desse modo, compreende-se que enquanto os centros de ensino não abordarem essa temática, os abusos na infância persistirão.

Além disso, os abusos podem trazer inúmeras consequências para a saúde mental e física da criança, como depressão, ansiedade, infecções sexualmente transmissíveis e gravidez precoce, como ocorreu com a menina de 10 anos que, em 2020, precisou realizar um abordo após ser estuprada por familiares. Nesse sentido, compreende-se que o abuso sexual é muito prejudicial para a vítima, dificultando todo o processo de desenvolvimento pessoal e físico, desenvolvendo traumas para a vida inteira.

Portanto, a ausência de educação sexual e as consequências do abuso são quentões a serem enfrentadas. Logo, cabe ao Ministério da Educação a inserção de educação sexual nas escolas, por meio de aulas interativas, com o conteúdo proporcional à idade dos ouvintes , para que as crianças entendam seu próprio corpo. Ademais, o Estado deve implantar um sistema de fiscalização, por meio de visitas por psicólogos em todas as casas, realizando entrevistas individualizadas a fim de identificar possíveis sinais de abuso. Feito isso, a realidade dos menores brasileiros estará cada vez mais distante da obra de John Boyne.