Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil
Enviada em 27/02/2021
Os impedimentos a um combate efetivo ao abuso sexual infantil no Brasil são lamentáveis e, além de tudo, primários. Em primeiro lugar, um enorme entrave observado é a falta de denúncias, por diversos motivos. Em segundo, é, com efeito, inadmissível que o Governo Federal não centralize os dados que dizem respeito a esse assunto, que é, evidentemente, tão grave.
Se, por um lado, o Brasil é referência em relação à saúde pública, com o SUS (Sistema Único de Saúde), não é possível dizer o mesmo no tocante ao combate ao abuso sexual a crianças e adolescentes. Isso, porque ainda não deu o primeiro passo para a criação de políticas públicas contra esse problema, a saber, a centralização dos dados e notificações desse tipo de abuso, como fizeram países como Estados Unidos, com seu departamento de Saúde, e Reino Unido, com a NSPCC (sigla em inglês para Sociedade Nacional paraa Prevenção de Crueldade contra Crianças), e obtiveram excelentes resultados.
Perceptivelmente, no Brasil, uma outra barreira que dificulta um combate desimpedido ao abuso sexual infantojuvenil é a falta de denúncias por parte das vítimas e pessoas próximas e cientes do(s) acontecimento(s), seja por medo do agressor, por não saberem onde fazê-lo e até, principalmente no caso das crianças, por falta de vocabulário para descrever o ocorrido.
Para um assunto tão delicado como é o tratado, é necessário que o Governo Federal aja acertivamente e, para tanto, crie um órgão para reunir os dados e expô-los à população e um canal bastante acessível à população para que as denúncias sejam feitas. As autoridades do Brasil também devem incentivar as vítimas, através de canais televisivos e meios públicos, desse tipo de abuso a denunciarem os agressores.