Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil

Enviada em 25/02/2021

No Brasil, hoje em dia não é difícil encontrar uma criança ou adolescente que sofre ou tenha sofrido violência sexual em alguma fase da sua vida. O mesmo pode ser definido como ato ou brincadeira onde o adulto usa a criança ou adolescente, sem seu consentimento, estimulando-a sexualmente para satisfação pessoal. Infelizmente muitas famílias, sem mesmo perceber ou com o intuito de encobrir o caso, para auto proteção, omitem o fato, gerando apenas mais traumas na vitima. Além disso, a grande ingenuidade das crianças, impedem que elas tenham consciência dessa atitude repulsiva e principalmente de como pedir ajuda se isso acontecer.

Em primeiro lugar, a grande falta de informação da maioria das famílias, com o que acontece dentro de suas próprias casas, tem apenas contribuído para o aumento dos casos de violência sexual contra crianças. Segundo uma pesquisa feita pelo Ministério da Saúde, cerca de 38,4% dos agressores sexuais de adolescente tinham vínculo intrafamiliar com a vítima. É muito provável que em algum momento esse agressor tenha dado indícios de suas intenções. Desse modo, é indiscutível a importância de que a família esteja atenta e tome os cuidados necessários, prevenindo que tal ato aconteça. Poupando assim, a integridade física e psicológica da criança e adolescente.

No entanto, também é muito comum encontrar famílias que com intuito de proteger o agressor (que na maioria desses casos, faz parte da família), das punições de tal ato, encobrem em uma teia de mentiras o problema, que cresce cada vez mais e afeta exclusivamente a criança. Uma vez que ela se vê indefesa e sozinha, cultiva para si esse segredo que acaba destruindo sua infância. Nesse momento, é essencial a atuação tanto das escolas quanto dos familiares, dispostos a entender os sinais que a criança evidentemente demonstra, ajudando-a e acionando autoridades, dando-a o suporte necessário na denúncia, preservando sua identidade.

Dessa forma, fica evidente, a necessidade de mudanças de atitudes, com o intuito de combater o abuso sexual no Brasil. A princípio, é necessário que todas as famílias tomem precauções com seus filhos, conversando e mantendo um relacionamento onde a criança possa se abrir e se sentir a vontade, sendo assim um porta de entrada para perceber se há indícios de violência. Não só mas também, que a Vara de Infância e Juventude e o Conselho Tutelar, juntamente com o Ministério da Educação, atue nas escolas com palestras e aulas de proteção e educação sexual, alertando as crianças sobre os indícios de abuso e como se proteger se isso um dia acontecer, a fim de que as elas tenham consciência dos limites das brincadeiras adultas e como pedir a ajuda certa, caso uma dessas ultrapasse o limite de onde ela se sinta confortável.