Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil
Enviada em 17/03/2021
Gregório de Matos, poeta luso-brasileiro seiscentista, ficou conhecido como “Boca do inferno” pela postura crítica contra a sociedade baiana da época. Atualmente, se o escritor estivesse vivo e se deparasse com os casos recorrentes de abuso sexual infantil no Brasil, certamente teceria denúncias a respeito. Dessa forma, é imprescindível ressaltar que tal realidade é fruto da herança familiar, bem como do descaso governamental.
De início, é valido salientar a influência familiar sob os casos de abuso sexual infantil. Nesse sentido, segundo pesquisas do site Agência Brasil, mais de 70% dos casos da violência supracitada ocorrem dentro da própria casa da vítima. Sob esse prisma, além dos familiares serem os agressores, ocorre um enorme silenciamento da criança e de quem tenha ciência do crime, em decorrência da herança conservadora e cristã, a qual a família é a instituição máxima e deve ser mantida a quaisquer custos.
Ademais, é necessário comentar a negligência governamental para com a problemática. Dessa maneira, o Estado não cria nenhuma política pública para o combate desses casos, como a importante educação sexual nas escolas, por mero tabu. Essa realidade vai de frente com a teoria do filósofo grego Aristóteles, que defendia o papel do Governo no bem-estar da populacional. Assim, com o poder público não cumprindo sua função corretamente, a impunidade dos abusadores ainda é vigente no Brasil.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. O Governo Federal, apoiado pelo Ministério da Educação e por secretarias locais, deve realizar campanhas nas escolas sobre a educação sexual, por meio de palestras, rodas de conversas e teatro de fantoches para as crianças menores, a fim de conscientizar os infantes sobre o próprio corpo, quem pode tocá-lo e quando informar a escola caso algo incomum aconteça. Somente assim, o abuso sexual infantil será melhor combatido no Brasil.