Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil

Enviada em 16/04/2021

O filme “Um Olhar do Paraíso” narra a triste história de Susie Salmon, uma garota de 14 anos que foi estuprada e assassinada por seu vizinho, um amigo da família. No enredo, Susie é aliciada semanas antes do abuso, mas nem ela nem seus pais conseguem identificar o problema que, posteriormente, se tornaria uma trágica história. Atravéz dessa ótica, a obra é um reflexo da realidade caótica na qual encontram-se desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil e no mundo, tais como a omissão do assunto em questão e a dificuldade de detectar o problema.

Em primeira análise, é sensato pontuar o tabu envolvendo temas sexuais na infância, mas é exatamente essa ausência de informação que perpetua a problemática. Consoante o pensamento de Sócrates, filósofo grego, em seus ideais de maiêutica, o debate possibilita a resolução dos problemas por meio de pensamentos racionais, ou seja, faz-se necessário discutir sobre o problema para solucioná-lo. Nessa instância, cabe retrucar a necessidade de tornar o assunto viável para a segurança de todas as crianças e jovens que não obtiveram ensino sexual apropriado.

Outrossim, é notório que essa falta de educação sexual resulta na dificuldade de detectar o abuso sexual infantil, facilitando o abusador de sair impune. Segundo o Ministério da Saúde, apenas 62% dos casos são notificados como estupro, ou seja, 38% dos casos de abuso sexual infantil não são legitimados em razão da degradante falta de conhecimento da criança, da qual não sabe distinguir carinho fraternal e deturpação sexual, resultando na dificuldade de solucionar o caso. Nesse contexto, é imperativo a ascensão da educação sexual desde o ensino primário.

Depreende-se, portanto, que ações devem ser delegadas para canalizar essa realidade caótica do Brasil. Para tanto, é dever do Ministério de Educação, em sinergia com o Poder Legislativo, promover meios de detectar abusos sexuais por meio de leis que tornem o ensino sexual obrigatório nas instituições de ensino infantil até o médio, contando com aulas proporcionais aos níveis de compreensão das crianças e adolescentes. Esse projeto de lei servirá como base estrutural para analisar cada aluno neuropsicologicamente, inserindo profissionais de psicopedagogia a fim de guiar os alunos que apresentem sinais de transtornos pós-abuso para psicólogos, também promovidos no projeto de lei, e descobrir o abusador sem causar mais danos traumáticos na criança ou adolescente. Dessarte, somente assim o Brasil se tornará um país seguro para que as crianças vivam sua infância sem traumas psicológicos, tornando o filme “Um Olhar do Paraíso” apenas um filme comum sem relação com a realidade.