Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil

Enviada em 11/04/2021

Do outro lado do paraíso, novela da rede Globo de televisão, um delegado abusa sexualmente da sua enteada durante toda a infância da criança, depois de anos que é julgado e condenado. Saindo da dramaturgia não é diferente na sociedade brasileira, os desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil são grandiosos. Seja pela vunerabilidade das vítimas ou pela insegurança das vítimas em denunciar o agressor. Diante de tal cenário é fundamental a análise das causas desse problema afim de mitigar suas consequências.

Segundo dados do Boletim Epidemiológico 27, do Ministério da Saúde, 69 em cada 100 abusos de crianças ocorreram na residência, mesmo que o agressor tenha vínculo familiar ou não, as crianças sendo vulneráveis cabe ao responsável protege-lá, mas o que fazer se muitas das vezes o responsável é o próprio agressor? Acontece, ainda, das mães não denunciarem por medo. Vale ressaltar que abuso sexual não é só o ato sexual, mas também toques, carícias, beijos e até mesmo sem contato físico.

Ademais, a insegurança da vítima em denunciar o agressor faz com que o mesmo não seja punido e fique livre para fazerem outras vítimas. Mesmo com todo o apoio reservado a vítima de violência sexual, denunciar, ainda, é algo muito complexo a vítima. Haja vista, que recentemente houve o caso da influenciadora digital Mariana Ferrer,  vítima de abuso sexual, que no julgamento o caso foi indiciado como “estrupo culposo” quando não há a intenção de estuprar, o que é o cúmulo da justiça e leva as vítimas, que não tem visibilidade na mídia, se questionar: “a influencer famosa foi submetida a tal situação e eu que não tenho visibilidade nenhuma?”.

Diante dos argumentos citados acima, faz se necessário que providencias sejam tomadas para o combate a problemática. Para que os desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil sejam superados, urge que o governo invista em campanhas e programas sociais, como a Faça Bonito! Denuncie! (campanha que tem o dia 18 de maio como dia do combate a violência sexual contra crianças e adolescentes) que concientize as famílias e as vítimas a denunciarem, assegurando-as segurança e proteção. Paralelamente, a discursão do tema em sala de aula  é de fundamental importância, uma vez que os educadores são vistos como protetores pelas crianças. Assim em médio prazo esse será um problema só da dramaturgia como meio de relatar um passado tenebroso.