Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil

Enviada em 28/04/2021

A obra naturalista O Cortiço, escrita por Aluísio de Azevedo, evidencia dentre diversos problemas sociais, o abuso sexual infantil sofrido por Pombinha, jovem residente do Rio de Janeiro. Não longe da ficção, diariamente intercorrem numerosos casos de pedofilia no Brasil. A escassa significância e atenção fornecida pela família frente à essas situações, somada a negligência governamental, tornam-se inadmssíveis  na sociedade contemporânea, logo, apresenta necessidade de debate e intervenção.

A priori, é importante salientar que a família apresenta um papel essencial para que se evite um abuso sexual, ou a repetição do mesmo. Segundo Ministério da saúde, entre os agressores, pelo menos 27% apresentam laços familiares ou relação de amizade com a vítima, além disso, mais de 80% são homens. Isso mostra o quão significativo é a atenção que os pais devem ter perante seus filhos, diante não só de mudanças comportamentais, mas também de repugnação por alguém específico e até mesmo queda no desempenho escolar, que podem significar exploração erótica. A precariedade de conversas entre pais e filhos, além da descredibilidade cedida às palavras de crianças e jovens, dificultam a luta contra situações abusivas.

Outrossim, o escasso auxílio governamental no Brasil no âmbito de denúncias contra violências sexuais infantis é essencial para que o cenário se agrave. A falta de políticas públicas e de maior atenção e intervenção do governo resultam no aumento de casos de pedofilia, que de acordo com pesquisas, somam aproximadamente 500 mil por ano, porém, apenas 10% são comunicadas às autoridades. Em vitude disso, é de extrema importância entender que além de prejuízos psicológicos, as vítimas podem contrair doenças sexualmente transmissíveis e lesões corporais.

Evidencia-se, portanto, a necessidade de medidas capazes de mitigar essa problemática. Cabe ao governo a criação de um sistema exclusivo, que cuide apenas de denúncias contra abusos em crianças, a fim de que estas sejam realmente notificadas e tenham retorno rápido e eficaz para o combate da situação. O aumento da punição de agressores também deve ser imposto, para que haja maior segurança da população. Além disso, é importante que familiares dialoguem e ensinem sobre assuntos sexuais o mais cedo possível, seja por meios didáticos, desenhos ou conversas, a fim de que as crianças possam entender e se expressar melhor em relação a isso, assegurando assim, um bom diálogo familiar. Dessa forma, o abuso sexual infantil poderia ser consideravelmente combatido, e a sociedade infantojuvenil obteria maior proteção.