Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil

Enviada em 23/04/2021

O filme “Preciosa - Uma História de Esperança” fala da história de Clarice, conhecida como Preciosa, jovem de 16 anos que vive uma vida conturbada, onde é abusada pelo próprio pai desde criança e maltratada pela mãe, engravida duas vezes de seu pai e contrai o vírus HIV, além de que sua mãe a culpa pelos estupros. Fora das telas de cinema, infelizmente observa-se uma realidade muito parecida que acontece com diversas crianças e adolescentes, onde são abusadas, em maioria por pessoas próximas. A violência sexual tem índices alarmantes e precisa de uma atenção maior da sociedade e autoridades para redução dos casos e conscientização das pessoas.

Em primeira análise, deve-se analisar a situação das crianças e adolescentes que passam pelo cenário de abusos sexuais, para entender o perfil dos abusadores e das vítimas. No ano de 2019, de acordo com o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos foram notificados 17 mil casos de violência sexual contra crianças, em maior parte meninas, entre eles, 40% é cometido pelo pai ou padrasto, e vale lembrar que a maior parte dos casos acontece na casa da vítima ou do violentador, o que revela a proximidade entre os dois. Acrescenta-se também que, por muito ocorrer perto dos familiares, o abuso pode não ser notificado, quando a família não acredita na criança ou não notifica por achar irrelevante ou ter afinidade com o criminoso.

Ademais, vale ressaltar que, normalmente abusadores utilizam da vulnerabilidade e inocência da vítima para que consiga conquistá-la de forma “mansa”, a evitar desconfiança, comum nos casos entre próximos ou desconhecidos, pode ser fácil chamar a criança como se fosse brincar ou algo do gênero, depois se inicia uma possível série de abusos. Outro fator alarmante são traumas gerados na vida do abusado, como transtornos psicológicos, problemas alimentares, dificuldade em relações, isolamento, entre outros, a vítima costuma ter mudança drástica e pode formar situações desagradáveis para a sociedade, como dependência de drogas ou prostituição, causados pela vida traumática da pessoa.

Nesse sentido, por tamanha gravidade da violência sexual na sociedade, há necessidade de ações educacionais para melhora do quadro. Precisa-se do Ministério da Saúde e do Ministério da Educação para elaborar projetos nas escolas e envolver educação sexual e Direitos Humanos para que as crianças e adolescentes estejam informados sobre assuntos como violência sexual e conheçam seus direitos. Além dos estudantes, é preciso alertar a população, para isso verifica-se intervenção da Mídia com poder de influência em divulgar dados e instruções sobre violência sexual infantil, por meio de programas de TV e redes sociais, para que ocorra conscientização da sociedade sobre a condição. Com essas medidas, poderá ocorrer diminuição dos casos de abuso sexual infantil.