Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil
Enviada em 03/08/2021
A obra literária “3096 dias” narra a história verídica de Natascha Kampush, uma criança que foi sequestrada, violentada física e psicologicamente por mais de oito anos. Essa realidade não se restringe apenas a esse caso, a violência sexual infanto-juvenil está inserida na sociedade brasileira. Nesse sentido, é imprescindível discutir as razões e as decorrências dessa problemática, bem como, buscar formas de combater tal comportamento.
Primordialmente, evidencia-se que a falta de educação sexual é um desafio a ser vencido, visto que a sexualidade ainda é considerada um tabu na sociedade moderna. Prova disso é retratada ficcionalmente na série americana Sex Education em que Otis, o protagonista adolescente que é filho de uma terapeuta sexual, enfrenta adversidades para instruir no ambiente escolar, sobre essa temática a seus colegas. Além do mais, o não conhecimento sobre a sexualidade deixa mais vulnerável crianças e adolescentes a sofrerem violência. Uma vez que isso pode acarretar, o não entendimento do abuso como crime, nem auxiliar na prevenção e denúncia levando a traumas psíquicos, emocionais, físicos, comprometendo assim, não apenas a dignidade, como também, o futuro destes.
Outrossim, deve-se ter o controle parental no acesso à internet, visando a proteção dos filhos, haja vista os perigos oriundos desse meio. O exemplo disso é apresentado no filme Trust, que conta a história de uma adolescente que, sem a monitoração dos pais, conhece virtualmente quem ela pensa ser um garoto de sua idade. No decorrer da trama, porém, o rapaz é descoberto, sendo, na verdade um homem abusador de meia idade. Ademais, a educação e conscientização tornam-se essenciais para os pais também, dado a importância da vigilância e limitação no tráfego e acesso à internet. Sendo esse, um fator determinante na prevenção de abusos virtuais e físicos dado a facilidade, por parte dos agressores, em encontrar vítimas e conteúdos pornográficos de menores de idade nas redes.
Portanto, torna-se fundamental encontrar caminhos para extinguir esse crime sexual contra a juventude. Em vista disso, faz-se necessário que o Ministério da Educação destine verbas para a implementação de aulas sobre educação sexual, com profissionais capacitados como; sexólogos, psicólogos e psicopedagogos, não se restringindo apenas a alunos das instituições, mas também, a seus pais. Além de divulgar nas mídias sociais como Tik Tok - rede social usada em sua maioria por jovens -, campanhas contra a violência, como também promover uma pareceria entre o Ministério da Justiça e Segurança Pública e a ONG Safenet, um espaço seguro dentro das redes sociais, para denúncias virtuais. Dessa forma, a dignidade e futuro dessas crianças podem ser enfim, assegurados.