Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil
Enviada em 17/05/2021
No Brasil, ainda é muito incipiente a disponibilização de dados para mensurar o tamanho do real fenômeno da violência sexual contra crianças e adolescentes, seja porque existe uma falta de integração dos órgãos responsáveis por receber as denúncias, seja porque há uma subnotificação dos casos de estupros e abusos. Mas, infelizmente, acontece todos os dias e esse é um crime que precisa ser controlado e punido.
Além disso, é preciso olhar para a raiz do problema, segundo o Ministério da saúde 85% dos casos de violência sexual acontecem com meninas, e seus agressores são, em sua maioria, homens mais velhos. Isso acontece por conta do machismo enraizado na sociedade brasileira, que desde que se constituiu como nação, é um país extremamente misógino e machista e por conta da pedofilia, que vem sendo cada vez mais impune e não julgada como um crime.
É necessário também olhar quem são os agressores, e não somente quem são as vítimas. Um número significativo dos agressores são familiares ou conhecidos da vítima. De acordo com uma pesquisa feita pelo Datafolha em 2017, 88% dos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes são familiares: primos, tios, pais, padrastos, avôs. A vítima, na maioria das vezes, conhecia o abusador.
Portanto, medidas precisam ser tomadas para resolver esse impasse. Falar sobre o assunto é muito importante, alertando as crianças e adolescentes nos lugares em que convivem. Ainda é um tema tabu mas, somente na base do diálogo, deixará de ser. Sob qualquer nível de suspeita, denunciar é o melhor caminho. É papel da sociedade proteger crianças e adolescentes de qualquer tipo de violência. E, para que haja um controle melhor sobre os casos denunciados, o governo deveria criar um órgão especializado em casos de violência sexual contra menores de idade, havendo assim uma maior responsabilidade no que diz respeito aos dados e melhor amparo às vítimas.