Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil

Enviada em 07/06/2021

Na obra infantil ‘‘Segredo Segredíssimo’’, Odívia Barros aborda a história de Adriana, uma criança abusada pelo tio que ao conversar com sua amiga Alice, percebe a importância de externalizar o ocorrido para sua mãe. De maneira análoga, o livro retrata tanto o abuso no ambiente domiciliar quanto a importância de uma literatura infantojuvenil de alerta e conscientização. Além disso, a “adultização” de crianças e o machismo representam desafios no combate ao abuso sexual. Dessa forma, é importante um diálogo intersetorial para mitigar essa problemática.

Por esse viés, o senso comum e o discurso político que teme a educação sexual de crianças corrobora na perpetuação do problema, já que a maior parte do abuso infantil ocorre no ambiente familiar. Nesse sentido, o conhecimento sobre o próprio corpo e das estratégias utilizadas por aliciadores diminuem a quantidade de casos como os de Adriana e de outros 32 mil jovens vítimas de abuso, de acordo com os dados Ministério da Saúde em 2018. Por isso, são importantes livros como “Segredo Segredíssimo’’ que promovam o diálogo e a denúncia.

Outrossim, a construção cultural na qual jovens, principalmente mulheres, são sexualizados nos livros, nas novelas, nas séries e nas músicas contribui para a perpetuação de um ideário machista que normalizam a pedofilia. Sob essa óptica, o livro “Lolita” retrata um professor universitário, que se apaixona por uma criança de 12 anos. Em virtude, do narrador ser o abusador, essa obra naturaliza e responsabiliza a menina pelos crimes praticados. Desse modo, reforçando fetiches destrutivos que romantizam relacionamentos entre adolescentes e homens mais velhos.

Em suma, o abuso infantil, embora seja constantemente divulgado pelas mídias, ainda é um tabu entre as famílias. Portanto, é fulcral que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos juntamente com o MEC invista em aulas de educação sexual, por meio do preparo adequado dos doscentes e do fornecimento de materiais didáticos subdivididos por faixa etárias que abordem as estruturas morfológicas do corpo humano, o conhecimento corporal e o reconhecimento de práticas abusivas. Para que crianças e jovens tenham mais conhecimentos sociais e emocionais da sua sexualidade e possam proteger seus direitos e sua saúde.