Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil
Enviada em 27/05/2021
No filme “Um Olhar do Paraíso”, Susie vivência o infortúnio de ser assassinada após o estupro por seu vizinho. De forma análoga, é fato que o episódio não se restringe apenas à ficção, pois a violência sexual infantil é muito recorrente dentro de vários lares brasileiros. Nesse sentido, a superexposição por crianças nas redes sociais propicia um cenário adequado aos infratores que roubam a inocência e lhes causam transtornos psicológicos e comportamentais.
Em primeira análise, dramas como “Lindinha”, da “Netflix”, que exibe corpos infantis erotizados em grande parte das cenas é incabível. Pois, é evidente que a criação causa forte influência na conduta do telespectador dentro das redes sociais, principalmente quando diz respeito aos infantes. Segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), em 2020, com a pandemia, houve um aumento significativo nos casos de estupro. Nesse cenário, o mau entretenimento junto com o uso de aplicativos como “TikTok” somam às estatísticas fáceis alvos, de uma escolha a dedo, através de um catálogo de perfis.
Como efeito, uma cadeia de males da alma e do corpo surge violando o direito à liberdade, ao respeito e à dignidade das crianças e adolescentes como assegura o artigo 15, do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Conforme Ministério da Saúde, em 2021, 50,7% das vítimas de estupro são crianças de até 13 anos. Ainda que, não existam parâmetros bem definidos para os prejuízos causados pós-trauma, na literatura médica, sabe-se que não são poucos. Por exemplo, a depressão e o abuso de substâncias são alguns desses. Portanto, problemas na cognição e conduta são resultados de tamanha barbárie.
Destarte, é crucial que medidas sejam tomadas a fim de amenizar o atual quadro de violência. Para isso, é necessário que haja uma maior fiscalização do uso das redes, pela família, além do cumprimento de multas às empresas que não gerenciam seus perfis, por meio de políticas públicas, como a elaboração de leis no âmbito cibernético que apure com minúncia as ações criminosas dessa espécie. Assim, poder-se-á garantir, de fato, um olhar do paraíso, caso contrário, viver-se-ão infernos interiores.