Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil

Enviada em 18/06/2021

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que os desafios no combate do abuso sexual infantil no Brasil, apresentam barreiras que dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto do negligenciamento de políticas públicas e da falta do cuidado parental. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Sob esse viés, ressalta-se que o abuso sexual infantil tem aumentado no país, ocasionado pela baixa atuação de setores governamentais. Segundo Thomas Hobbes, pensador inglês, autor da obra “Leviatã”, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população. Entretanto, isso não ocorre no Brasil, devido a baixa atuação das autoridades que não dão a devida relevância a esse mal, pois o aproveitamento de menores está cada vez maior, gerando, na vítima, um trauma irreversível, que poderia ser evitado por iniciativas governamentais contra os agressores. Bom exemplo é o NSPCC (Sociedade Nacional para a Prevenção de Crueldade Contra Crianças), órgão dos Estados Unidos, que elabora planos para a segurança infantojuvenil, acarretando na redução desse crime e na rápida identificação do infrator. Então, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, destaca-se o descuido parental com os menores como promotor do problema. No contexto da Revolução Gloriosa de 1689, Isaac Newton, pensador inglês e autor das três leis da dinâmica, define, na terceira lei, que cada ação gera uma reação. Nesse viés, é nítido que muitos pais são displicentes em relação aos seus filhos, tornando-os alvos fáceis para a prática de atos maliciosos. Bom exemplo são pais que trabalham o dia inteiro e não tem tempo para os filhos que acabam crescendo com babás e com o celular, um dos principais mecanismos usados pelos agressores sexuais. Tudo isso, retarda a resolução do empecilho, contribuindo para perpetuação dessa conjuntura.

Assim, medidas holísticas são necessárias para conter o avanço da problemática. Destarte, com o intuito de mitigar o problema, urge que o Ministério da Cidadania -órgão responsável pela formulação de políticas e ações voltadas para a garantia de direitos à sociedade –, junto a policiais e psicólogos, através das denúncias realizadas por vítimas ou pessoas próximas,  consiga diminuir, ao máximo, esse mal. Além disso, compete a Ministério da Educação, ajudar os pais e responsáveis a cuidarem mais de seus filhos, monitorando-os em redes sociais e escolas e ensinando-os a não falar com estranhos, para reduzir a pratica desse crime, podendo, assim, alcançar uma sociedade semelhante à da “Utopia” de Thomas More.