Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil
Enviada em 27/06/2021
No ano de 1973, Araceli, de 8 anos, foi encontrada morta com sinais de abuso sexual no Espírito Santo. O impacto do caso incentivou a criação do Dia Nacional do Combate ao Abuso Sexual Infantil. Apesar de existir tal movimento em curso há décadas, casos semelhantes persistem no Brasil hodierno, e os desafios para o enfrentamento do tema ainda são muitos. Entre esses obstáculos, pode-se destacar a dificuldade para descobrir o acontecimento, e o fato dos abusadores estarem próximos da família.
Primeiramente, é importante salientar que, é possível que crianças que sofreram abuso sexual não reconhecem a gravidade da situação em si, e por isso, a descoberta desses casos se torna, em geral, se torna mais difícil. Uma representação dessa situação, foi retratada no filme “As vantagens de ser invisível” do diretor Stephen Chbosky, no qual o protagonista foi abusado por sua tia na infância, e só foi perceber a severidade do ocorrido anos depois, na sua adolescência, quando foi elucidado por sua psiquiatra. Apesar de ficcional, a obra simboliza as inúmeras situações similares ao filme, em que a vítima tarda para associar a circunstância em que se encontra, dificultando o tratamento dos que passam por tais eventos.
Além disso, é preciso destacar os dados preocupantes fornecidos pelo boletim epidemiológico do Ministério da Saúde no ano de 2017, o qual nos mostra que 2 em cada 3 casos de abuso sexual infantil, ocorrem dentro da própria residência da criança. Nesse sentido, os abusadores podem ser familiares ou amigos próximos da família, se tornando uma grande barreira na identificação dos casos, visto que os jovens menores de idade geralmente não tem condições de se representarem por elas mesmas. Desse modo, os criminosos se disfarçam por serem entes familiares ou amigos, não sofrendo as consequências.
Portanto, é necessário aplicar medidas para que os casos de abuso sexual infantil sejam descobertos o mais breve possível, mesmo entre pessoas muito íntimas da família. Dessa forma, é preciso que o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Família, atuem nas escolas do país inteiro com a realização de palestras com especialistas na área da psicologia e criminologia, com intuito de ajudar os pais a identificar tanto sinais de abuso na criança, quanto possíveis suspeitos próximos à vítima, mantendo um acompanhamento próximo, evitando, dessa maneira, que surjam novos casos e identificando os já existentes. Assim, poderá se evitar que outros sofram do mesmo terror e final que Araceli.