Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil

Enviada em 28/06/2021

Na série “Sex Education”, uma jovem, enquanto estava em um trasporte público a caminho da escola, foi abusada sexualmente por um homem, o que lhe causou traumas psicológicos posteriormente. Apesar de ser uma produção televisiva, é possível relacioná-la com a realidade, visto que ainda são muitos os desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil. Essa alarmante situação deriva da ineficiência governamental em proteger as crianças e também em formar cidadões de bem.

Em primeira análise, é notória a influência que o despreparo do Governo tem no que se refere a existência da problemática. Segundo o artigo 6 da Constituição Federal de 1988, a segurança e a proteção à infância são direitos sociais inerentes a qualquer cidadão. Nesse sentido, a violência sexual infantil tende a continuar, infelizmente, uma vez que os governantes não cumprem com seus deveres e responsabilidades e, por conseguinte, não conseguem proteger a população infantil dos abusadores em questão. Dessa forma, caso não haja uma mudança comportamental do Estado, esses crimes hediondos permanecerão sendo motivo de alerta para a sociedade brasileira.

Ademais, é fato que o deficitário sistema educacional corrobora para a formação de potenciais agressores sexuais de crianças. De acordo com o filósofo Immanuel Kant, “o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”. Nessa lógica, aqueles que cometem tais crimes são um reflexo de sua má formação enquanto jovens, visto que o sistema de ensino é incapaz de transmitir valores bons e formar o caráter dos indivíduos nas escolas, fazendo com que eles, por conta de sua educação inadequada, tomem atitudes inapropriadas quando forem adultos. Desse modo, a incapacidade das escolas é um dos fatores causadores da perpetuação dos casos de abuso sexual de crianças e jovens.

Em vista dos fatos supracitados, faz-se necessária a adoção de medidas que venham a combater esse impasse. Portanto, cabe ao Ministério da Educação, melhorar o sistema educacional brasileiro, por meio da implementação de uma matéria chamada “Comportamento Civil” na grade curricular nacional, que tenha uma carga horária de 100 minutos semanais em aulas, as quais serão lecionadas por sociólogos que ensinem os jovens como eles devem se comportar em meio a comunidade. Com isso, espera-se ter uma expressiva melhora na formação de cidadãos, fazendo com que “Sex Education” seja uma mera produção cinematográfica que não represente a realidade.