Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil

Enviada em 04/07/2021

De acordo com o historiador e medievalista, Philippe Aries, até o século XII não se considerava a infância como uma especificidade, pelo contrário, as crianças eram vistas como adultos em miniatura. Similarmente, essa visão se segue até os dias de hoje, quando vemos relatos de crianças abusadas sexualmente. Nesse sentido, os desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil, se dá pela ausência de educação sexual familiar em uma linha tênue com o silêncio das vítimas oprimidas.

A priori, é de relevância discutir acerca do papel da família na luta contra a violação infantil. Na qual, numerosos pais negligenciam a educação sexual aos seus filhos, em virtude de não acharem que tal ato acontecerá ou por medo de assustar a criança. Por consequência, de acordo com o Ministério da Saúde, 72,2% de crianças do sexo feminino e 25,8% do sexo masculino sofreram a agressão sexual. Desse modo, tal fenômeno não pode ser naturalizado.

Outrora, é necessário dar enfoque a opressão que as crianças sofrem para não denunciar seu abusador. Tendo em vista que, a esmagadora parcela dos casos de abuso sexual infantil, não denunciados, foram devido aos responsáveis da criança tê-la coagido a não delatar, utilizando de sua ingenuidade e fragilidade. Porque, assim como afirmou Kohan, em Diálogos, a infância ocupa um espaço semelhante de inferioridade.

Portanto, é imprescendível medidas resolutivas para sanar esse problema. Cabe a família, com o seu papel essencial na formação e proteção do menor, propor rodas de conversa e fazer dinâmicas com seus filhos, ensinando-lhes a se proteger e denunciar qualquer um que lhe fizer algum mal, afim de evitar contato interpessoal com desconhecidos. Somente assim, as crianças terão a segurança garantida na prática, e não só no papel.