Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil
Enviada em 09/07/2021
No livro “Caso perdido”, da autora Coollen Hoover, a protagonista descobre, por meio de lembranças que vêm à tona, que foi abusada sexualmente pelo seu próprio pai. Fora do universo fictício, esse triste revés se faz presente na sociedade brasileira atual, na medida em que ainda persistem desafios para combater o abuso sexual de menores. Sob esse viés, é preciso entender os fatores que colaboram com esse cenário: a falta de educação sexual nas escolas e a carência de uma preparação qualificada, por parte das escolas, para identificar os casos de abuso.
A princípio, a falta de educação sexual nas escolas contribui com a dificuldade de se combater o abuso sexual infantil no Brasil. Nesse sentido, consoante ao que afirma a teórica Vera Maria Candau, o sistema de ensino hodierno está preso nos moldes do século XIX e pouco coopera com o desenvolvimento integral do indivíduo. Assim, priorizando a instrução conteudista, os colégios não incluem em suas disciplinas a abordagem sexual, que, ensinando sobre consentimento e autoproteção, por exemplo, auxilia a criança a se proteger de assédios e abusos. Dessa forma, é fulcral investir na educação sexual como uma ferramenta de prevenção e enfrentamento da violação sexual pueril. Outrossim, a escassa preparação da escola brasileira para identificar os abusos sofridos corrobora os desafios para o combate ao abuso de petizes. Nesse contexto, de acordo com dados do Disque 100 — instituto cuja função é receber denúncias de desrespeito aos direitos humanos —, a maior parte dos casos de abuso sexual infantil ocorre na própria casa do menor. Destarte, os professores são um agente importante na detecção desses casos, haja vista que o espaço escolar deve ser um lugar de acolhimento e proteção.
Portanto, os institutos de ensino devem estar preparados para reconhecerem situações de abuso, interrompendo, com isso, o ciclo de violência. Logo, ainda persistem desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil. Para liquidar essa problemática, as escolas — instituições responsáveis pela formação saudável e plena do sujeito — devem instruir as crianças, desde cedo, a distinguir sinais de violação e como procurar ajuda. Isso deve ser feito por intermédio da adição da educação sexual à Base Comum Curricular, com o intuito de empoderar os párvulos sobre seus corpos e, com isso, protegê-los. Por conseguinte, situações como a vivida pela protagonista de “Caso perdido” ficarão restritas à ficção.