Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil
Enviada em 14/07/2021
O livro, “Uma criança supreendente”, da autora Torey Hayden demonstra, a partir de uma história real, a dificuldade em desvendar os sinais comportamentais identificados em uma criança que sofreu abuso sexual. Nesse viés, pela interpretação da obra, é nítido os desafios tanto em relação ao combate quanto referente à identificação do abuso infantil. Isso ocorre em razão, principalmente, da omissão escolar frente à problemática.
Diante desse cenário, é preciso considerar, primeiramente, a intepretação e as consequências do abuso sexual em relação as crianças. Nesse sentido, a obra escrita pelo autor Marcos Debrito, “A casa dos pesadelos”, conta a história de um menino que, apenas na adolescência, descobriu que seus recorrentes pesadelos eram, na verdade, a personificação do abuso que ele sofreu na infância. Sob essa ótica, percebe-se que esse livro ilustra fielmente o modo como muitos menores de idade enxergam essa agressão. Isso porque eles tendem a correlacionar a violência aos seus maiores medos, tendo em visto que, em muitas vezes, o grupo infantil não é ensinado a identificar a ação. Por conseguinte, é visível que, sem a manutenção da conjuntura, infantes que foram abusados carregarão sequelas até a vida adulta.
Outrossim, é necessário enfatizar como a passividade escolar referente ao tema da educação sexual causa efeitos negativos nas vítimas. Nessa lógica, sabe-se que a escola possui papel fundamental no desenvolvimento cognitivo e na formação do caráter do cidadão. Entretanto, nesse contexto, apesar da discussão sobre o abuso sexual ser essencial nas unidades escolares, visto que, de acordo com o Ministério da Saúde, 37% dos agressores de crianças entre 1 e 5 anos são parentes, é notório que o debate não é efetivado. Desse modo, com a permanência dessa conjuntura, os infantes continuarão sofrendo certos tipos de abuso, que poderiam ser abolidos com intervenções escolares.
Torna-se claro, portanto, que medidas são necessárias para combater o abuso sexual infantil no Brasil. Dessa maneira, o Ministério da Educação deve inserir no currículo escolar temas referentes à educação sexual na infância. Tal fato pode ser feito por meio de aulas práticas e ditáticas e, também, por intermédio de palestras com profissionais especializados no assunto. Dessa forma, será possível ensinar os infantes sobre os limites que não devem ser ultrapassados em relação aos seus corpos, o que irá, consequentemente, aumentar as identificações e possíveis punições contra os agressores.