Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil
Enviada em 13/08/2021
Ao decorrer do filme “Forrest Gump”, o telespectador é apresentado à uma personagem muito interessante: Jenny, a amiga de infância do personagem principal. Durante a narrativa, quando ainda era criança, ela sofre continuamente com abusos sexuais vindos do próprio pai. Fora da ficção, tal situação se repete com diversas crianças, principalmente no Brasil. Assim, é evidente a intensa dificuldade no combate ao abuso sexual infantil no país, consequência da falta de informação das crianças e da enorme ocorrência de casos em ambientes domésticos, como acontece com Jenny no filme.
A priori, é evidente que a falta de informação das crianças é o pilar desses desafios, visto que dessa forma elas não adquirem consciência da violência que estão sofrendo. Portanto, o abuso acontece de forma sigilosa, pois não há denúncia. Todavia, esse problema pode ser evitado com educação sexual. De acordo com a ONU, essa iniciativa é favorável ao avanço dos Direitos Humanos não só por propagar o autoconhecimento, como também por possibilitar que as vítimas enxergem sua própria situação.
Em segunda análise, é preciso apontar que, de acordo com o Instituto Infância Protegida, a maior parte dos abusos contra crianças no Brasil ocorrem em domicílio. Destarte, esses casos envolvem diretamente e indiretamente a família nuclear da criança, o que culmina frequentemente no questionamento da denúncia da vítima e na encobertação dos abusadores. Consequentemente, a criança tende a permanecer com seus direitos violados, o que pode resultar em diversos traumas.
Por conseguinte, é notável que os desafios para o combate ao abuso sexual abrangem a falta de conscientização e de apoio familiar. Sendo assim, é responsabilidade do Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, promover a educação sexual nas escolas brasileiras. Por meio da inserção da abordagem adequada sobre assédio sexual na Base Curricular Comum, lecionadas por especialistas na área, será possível que as crianças tenham autonomia e senso crítico para denunciar a algum adulto. Paralelo a isso, é de suma importância que a sociedade como um todo, porém principalmente a família, não só preste apoio às crianças que são vítimas como também repreenda os abusadores.