Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil

Enviada em 17/08/2021

No seriado de TV “outlander”, o público é apresentado à Claire, uma mulher que, por acaso, viaja para o passado, o que  coloca ela em perigo, pois, dentre diversos motivos, a esse período é atribuida a normalização do estupro. Na realidade brasileira, muitas pessoas se tornam tão oprimidas quanto Claire, dentre as quais se encotram as crianças, as quais, por serem consideradas mais ingênuas, frequentemente se tornam um alvo dos agressores. Isso se deve ao tabu enraizado na sociedade, que veda esse grupo social de ter acesso à educação sexual, além de que muitos dos que praticam esse crime são membros da própria família, que acobertam-o.

Verifica-se, de antemão, que grande parte das crianças que sofrem esse tipo de abuso, por não receberem educação sexual, não sabem reconhecê-lo. Sobre isso, torna-se relevante um dos princípios de Mario Sérgio Cortella: “É necessário cuidar da ética para não anestesiarmos a nossa consciência  começarmos a achar que tudo é normal”. Assim dizendo, o estigma que a sociedade tem quanto à relação sexual faz com que muitas pessoas nessa faixa etária não saibam, por exemplo, onde podem ser tocadas ou não pelos outros, e muito menos que devem reagir a esses feitos, o que dá abertura para a prática dessa transgressão, levando a criança a construir diversas debilidades, sejam elas físicas ou psicológicas. Portando, a carência desses ensinamentos gera a suscetibilidade desses menores de idade perante o abuso sexual.

Além disso, muitos desses casos ocorrem dentro da própria casa da vítima, o que se torna um impasse para a denúncia. Isso pode ser visto na série “Bruna surfistinha”, na qual a protagonista descobre que é fruto de um abuso sexual cometido pelo seu pai sobre uma adolescente, crime que é acobertado pela esposa do agressor. Em outras palavras, muitas das famílias existentes atualmente preservaram valores cultivados pelas gerações anteriores, dentre os quais, valorizam  a reputação, a qual seria manchada com uma denúncia, mesmo que ela zelasse pela segurança e justiça da vítima. Logo, a priorização da autoimagem exercida por uma família acaba por contribuir com o sofrimento dessas vítimas.

Dessarte, denota-se a importância em combater o abuso sexual infantil no Brasil. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, por meio de investimentos do estado, implementar a escolarização dos jovens com a educação sexual, tornando-os aptos a reconhecer e lidar corretamente com esse tipo de crime. Ainda, faz-se necessário que o ministério da saúde oriente os pediatras desse ramo a identificar se um paciente sofre com essas violações, para que assim, mais denúncias sejam feitas, impedindo, portando, que a realidade em Outlander volte a se tornar recorrente.