Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil

Enviada em 13/09/2021

O documentário “Leaving Neverland” retrata a história de Wade, um jovem que foi abusado durante a infância pelo famoso cantor Michael Jackson.  O garoto assume que , devido à dificuldade de identificar os assédios, demorou anos para finalmente denunciar o crime e acabou desenvolvendo síndrome do pânico. No contexto brasileiro, infelizmente, a realidade de inúmeras crianças não é diferente, uma vez que a carência de educação sexual e a falta de diálogo nas famílias representam grandes desafios no combate ao abuso sexual infantil. Nessa perspectiva, cabe a análise desses fatores, com o intuito de garantir a dignidade das crianças brasileiras.

Nesse sentido, é válido ressaltar que a carência de educação sexual dificulta a superação do entrave. Segundo o filósofo prussiano Kant, o homem é o resultado da educação que teve. Portanto, tendo em vista a importância do enisno na formação dos indivíduos, pode-se afirmar que conhecer o próprio corpo é fundamental, pois, a partir do momento em que a criança aprende a reconhecer-se biologicamente e a identificar comportamentos abusivos, ela torna-se capaz de identificar a situação como um assédio e reporta a situação para um responsável.

Além disso, apenas o ensino sexual  não é suficiente, pois os pequenos precisam de confiança e diálogo por parte da família. De acordo com o filósofo Foucault, na sociedade pós-moderna, quando temas são silenciados, as estruturas de opressão são mantidas. Sendo assim, quando não há discussão familiar sobre o abuso sexual, as crianças não se sentem acolhidas e nem preparadas para lidar com a situação, ficando com receio de denunciar. Essa conjuntura faz com que o abusador mantenha-se em impune, enquanto o jovem torna-se submisso e oprimido, podendo gerar problemas permanentes à sua saúde mental, como depressão, ansiedade, estresse pós- traumático  e síndrome do pânico, assim como retratado por Wade no documentário.

Sob esse viés, verifica-se a extrema importância da adoção de meios para solucionar a problemática. Tendo isso em vista, é necessário que o Ministério da Educação torne a discipina de educação sexual obrigatória em todas as escolas. Essa ação deverá ser acompanhada da aquisição de materiais didátiicos que discutam sobre a anatomia humana, bem como a sexualidade e a identificação de abusos. Além disso, devem haver rodas de conversa nas escolas com professores de biologia e psicólogos, que auxiliem o público infantil no reconhecimento e denúncia do assédio, com o intuito de assegurar a dignidade e a segurança dos jovens. Desse modo por meio da educação e do diálogo, o Brasil caminhará em direção à superação do abuso sexual infantil.