Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil
Enviada em 24/09/2021
No livro “Onde está Daisy Mason”, é retratado o desaparecimento de Daisy e os abusos que ela sofria dentro de sua própria casa. Assim, a narrativa revela os diversos desafios no combate ao abuso sexual infantil, que é um problema real e não está somente presente na ficção. Podendo assim, ser relacionado a realidade brasileira e sua falta de conscientização e rede de apoio às vítimas.
Em primeiro lugar, é importante ressaltar que a maioria dos casos acontecem no ambiente familiar da vitima, na qual, segundo dados do ParáPaz, mais de 80% desse tipo de violência é causado por alguém que faz parte da família, e mais da metade são pessoas que pertencem ao núcleo familiar, como pais, irmãos e avôs. Sendo assim, muitas vezes os atos não são denunciados, por falta de independência econômica da vítima, que normalmente depende do seu agressor para viver e a falta de uma rede de apoio familiar ou governamental, que não dá o auxílio necessário para que a vítima consiga e tenha condições para sair de casa e romper com seu abusador.
Além disso, por acontecer em suas casas e seu agressor ser uma pessoa conhecida pela família, há de certa forma uma descrença quando a criança conta à alguém de sua confiança ou até mesmo a vítima não conseguir e ter medo de denunciar por não querer prejudicar tal pessoa. Consequentemente levando a falta de denúncias e conscientização, por acharem que não existem muitos casos de abuso familiar, deixando assim, a criança exposta a esse tipo de crime novamente. Segundo o relato de M.C no site AgenciaBrasil , por exemplo, seus abusos começaram com cerca de 8 anos pelo amigo de seu pai, que por sua vez contou ao pai porém ele não acreditou. Retratando assim a realidade de muitas crianças no Brasil.
Portanto, é evidente a necessidade de medidas para amenizar o quadro atual. Cabe ao Conselho tutelar e ao Ministério da Justiça e Segurança Publica a criação de uma rede de apoio à vítima para garantir que nada a impeça de parar de depender de seu agressor, por meio de campanhas, afim de combater e previnir o abuso sexual infantil no Brasil. Somente assim, será possível criar um ambiente seguro para as crianças e adolescentes, protegendo-as.