Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil
Enviada em 27/10/2021
A obra naturalista “O Cortiço”, escrita por Aluísio de Azevedo ,retrata, dentre diversos impasses, o abuso sexual sofrido por Pombinha durante sua infância. De modo análogo, é notório que fatos como esse não se distanciam da realidade brasileira, uma vez que diariamente intercorrem inúmeros casos de pedofilia no território. Esse cenário nefasto ocorre não só em razão da falta de políticas públicas eficientes voltadas para tal problemática, mas também pela falta de educação sexual na infância, causando dificuldade na denúncia de tais ocorrências.
Precipuamente, é valido salientar que a falta de políticas voltadas exclusivamente para o combate ao abuso infântil no Brasil resulta em um sistema de denúncias deficitário. Nesse âmbito, de acordo com pesquisas realizadas pelo site BBC, o retorno de denúncias nesses casos é escasso, muitas vezes nem acontece, uma vez que a escolha da investigação ainda é facultativa. Nesse sentido, quem se dispõe a queixar de tais ocorrências se vê desamparado e desesperançoso em relação a justiça do país. Por isso, faz-se imperiosa a criação de políticas públicas eficientes para que a pedofilia tenha uma diminuição considerável.
Outrossim, a falta de entendimento por parte de vítimas infanto-juvenis pode acarretar em um certo silenciamento dos abusos, uma vez que a criança nem ao menos sabe a gravidade do que está acontecendo. Nesse viés, segundo o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, a violência sexual ocorre, em 73% dos casos, na própria casa das vítimas ou dos abusadores. Tal fato demonstra a necessidade de que a família e funcionários do ambiente escolar observem comportamentos estranhos, conversem a fundo com os jovens, e acima de tudo, iniciem, desde muito cedo, a educação sexual, podendo assim orientar essas crianças a contarem detalhadamente o que se passou, como ocorreu, onde ocorreu, e quem realizou o abuso.
Infere-se, portanto, que medidas capazes de mitigar os desafios no combate ao abuso sexual infantil sejam tomadas. Para tanto, cabe ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos a criação de políticas públicas que funcionem plenamente e própriamente contra a violência sexual infantil, fazendo com que as denúncias cheguem de modo correto e eficiente a pessoas que investiguem os acontecimentos e resolvam da melhor maneira possível, além de providenciar punições coerentes a tal crime, a fim de que todos os casos possam ser debatidos e devidamente solucionados ou amenizados. Ademais, cabe também ao Ministério da Educação a inserção da educação sexual como matéria obrigatória em todas as escolas desde os primeiros anos escolares, por meio de ensinamentos didáticos e explicativos, para então as crianças adquirirem tal ciência e conhecimento.