Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil
Enviada em 06/10/2021
Para a filósofa francesa Simone de Beauvoir, “O mais escandaloso dos escândalos é que nós nos habituamos a eles”. Sob essa óptica, este pensamento pode ser observado no Brasil, haja vista que o abuso sexual infantil está enraizado na sociedade brasileira. Isso ocorre ora pela negligência do núcleo familiar ora pela ausência de políticas públicas que combatam de forma eficaz essa violência. Logo, é inexorável que haja a análise dessa conjuntura com o intuito de que haja a alteração deste quadro.
Primeiramente, é imperioso ressaltar que a inexistência da educação moral e sexual juntamente à falta de apoio familiar alicerçam na continuação do abuso infantil no território brasileiro, posto que, o núcleo parental, raramente, aborda com seus filhos acerca de quais comportamentos alheios são invasivos e imorais. Dessa forma, ao sofrer a violência sexual, a criança pode ser manipulada a pensar que este ato é normal. Ademais, esse pensamento pode ser fortalecido quando a família não dá credibilidade para a reclamação do infante. Sendo assim, o pensamento do filósofo moderno Schopenhaur, “Os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do que o cerca”, pode ser utilizado nesta circunstância, uma vez que a criança crescerá acreditando que o abuso sexual não é errôneo.
Outrossim, convém elencar que a indiligência do poder público cristaliza a agressão sexual infantil. Desse modo, ao analisar o pensamento do filósofo grego Aristóteles, o qual defendia que o sistema político deve ser articulado a fim de alcançar o equilíbrio social, é possível concluir que a conduta prezada por ele não está sendo implemetada na cenário brasileiro, porquanto o governo não está investindo em políticas públicas que atenuem o abuso infantil, já que essa desprezível ação está presente no Brasil há séculos.
Urge, portanto, medidas que possam mitigar o abuso sexual infantil. Para tanto, é incumbência do Ministério da Família e dos Direitos Humanos ter conhecimento acerca de quantos jovens passam por essa violência, por meio da criação de um programa que monitore os casos de agressões, com o intuito de saber o tamanho do problema e estudar as circunstâncias que envolvem esse crime. Além disso, é imprescindível que a Secretaria de Comunicação Social tente conscientizar os parentais sobre a importância de observar a linguagem corporal da criança e de ouvi-la, por intermédio de propagandas televisionadas, a fim de acabar com a negligência familiar. Por conseguinte, o equilíbrio social visado por Aristóteles será alcançado.