Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil

Enviada em 18/11/2021

Na obra, banalidade do mal, da filósofa Hannah Arendt, o pior mal é aquele visto como corriqueiro e cotidiano. Em paralelo a obra, o mal da filósofa pode ser comparado ao abuso sexual infantil, uma vez que esse tem se tornado comum no dia a dia devido a sua banalização e descrença nas denuncias das vítimas. Isso, no Brasil, decorre não só da sexualização infantil, mas também da falta de educação sexual infantil

Sob essa perspectiva, é clara a influência negativa da sexualização das crianças no abuso sexual infantil. De acordo com a obra Romeu e Julieta, do escritor William Shakespeare, Julieta é uma menina de 13 anos, que é desejada por sua beleza, uma clara sexualização da personagem. Sob esse viés, é notório que alguns ritmos musicais, a exemplo do funk, com danças, muitas vezes, de caráter vulgar, as obras literárias também influenciam na sexualização, que abre as portas para o abuso infantil, uma vez que crianças passam a ser desejadas sexualmente por adultos. Assim, nota-se a urgência em frear a hipersexualização juvenil.

Ademais, é importante evidenciar a participação negativa da falta de educação sexual infantil no desafio de combater o abuso infantil. Segundo o filósofo Immanuel kant, o homem é aquilo que a educação faz dele, ou seja, os atos e o conhecimento do homem são consequências de sua educação. Nesse sentido, a falta de informação acerca do próprio corpo, contribui para que abusadores se aproveitem de crianças, pois estas não sabem ou não entendem que suas partes íntimas não podem ser nem vistas nem tocadas, por ninguém, salvo os pais. Compreende-se então, que conhecer o próprio corpo, faz com que as crianças reconheçam quando alguém passar dos limites e denunciem esse ato aos pais.

Portanto, percebe-se a urgência em frear a sexualização infantil e atentar-se sobre a educação sexual das crianças. então, urge que o Governo Federal, em parceria ao ministério da Educação, por meio da grade curricular das escolas públicas e privadas, promova aulas sobre educação sexual aos alunos e palestras sobre como evitar a sexualização das crianças. Dessa forma, as crianças saberão impor limites e conhecer seu corpo, e os pais serão conscientizados acerca da sexualização. Espera-se, com isso, frear os desafias ao combate do abuso sexual infantil no Brasil.