Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil

Enviada em 26/02/2022

Na novela “O outro lado do paraíso”, a personagem Laura, interpretada pela atriz Bella Piero, sofre por toda sua infância abusos sexuais de seu padrasto, mas só consegue se recordar do acontecido e o denunciar após longas sessões de hiponóse em sua fase adulta. O drama exposto não se difere muito da realidade, visto que a quantidade de casos de crianças abusadas cresce exponencialmente, e o desafio para combater essa problemática está na a carência de educação sexual nas escolas e no ambiente familiar, além da falta de políticas públicas que protejam de fato a criança.

A valer, é notório o quanto a maioria das famílias tratam educação sexual como um tabu e evitam de ensinar sobre o assunto para os seus filhos. Além disso, a escola, que tem como papel fundamental difundir de maneira democrática o conhecimento, mostra estar muito carente no quesito educação sexual. A pesquisadora Mary Neide Figueiró aponta que menos de 20% das escolas públicas brasileiras têm educação sexual ampla e contínua no ensino fundamental. E é justamente por essa falta de conhecimento, que muitas crianças não conseguem reconhecer um abuso, e quando o reconhecem, não sabem como reverter o caso, pois não lhes foi ensinado.

A falta de políticas públicas que impeçam e protejam a criança ao sofrer um episódio de abuso, é outro contribuente para o aumento de casos estupros contra menores. Uma vez que, ao reconhecerem a precaridade de políticas que os punam pelo crime cometido, os agressores tendem a cada vez mais praticarem esse delito.

Além disso, a vitima se sente desprotegida e por essa razão, acaba evitando denunciar o seu abusador.

Em virtude dos fatos mencionados, faz-se necessário a implementação da educação sexual nas instituições de ensino, por meio de disciplinas obrigatórias nas escolas, partindo do MEC, orgão responsável pela definção de políticas educacionais para o país, tendo como objetivo a difusão de conhecimento para que casos desse tipo sejam evitados ou até mesmo denunciados. Além disso, a criação de políticas públicas eficazes é outro fator indispensável no combate desse problema.