Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil
Enviada em 19/04/2022
Em “Um olhar do paraíso”, a personagem de Susie Salmon de quatorze anos, é vítima de estupro e assassinato pelo seu vizinho George Harvey, enquanto tenta se desvencilhar dele. Diante disso, pode-se observar, desde o passar dos anos, o quanto o abuso sexual infantil está presente na sociedade de maneira lastimável. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos importantes: os obstáculos da sociedade em dialogar abertamente sobre abusos sexuais e a ineficiência estatal para com o amparo e proteção às vítimas.
Em primeiro plano, pode-se destacar as barreiras na sociedade brasileira quando o assunto se trata de abusos sexuais, a omissão desse assunto faz com que se torne mais fácil para o abusador cometer o crime, pois poucas crianças possuem a noção dos limites que um adulto deve ter sobre seu corpo. Desse modo, segundo dados estatísticos do Ministério da Saúde no ano de 2018, cerca de 70% dos casos de estupro contra crianças ocorreram nas suas residências cometidos por conhecidos da família. Dessa Forma, se mostra evidente a importância de se ter educação sexual no âmbito escolar, pois nem sempre a casa é um local seguro.
Além disso, é notória a ausência do estado no amparo e proteção adequada às crianças vítimas de abuso, no qual muitas vezes acabam retornando ao mesmo local de seu transgressor. Consoante a isso, cabe elencar a frase dita pelo jornalista Julian Assange, “É impossível corrigir abusos ao menos que saibamos o que está acontecendo”, tendo em vista que múltiplos jovens não têm com quem desabafar sobre o que está ocorrendo. Sendo assim, entende-se de que é necessário haver um espaço para que a criança e o adolescente sinta-se seguro para contar e para que os abusos não voltem a ocorrer.
Portanto, fica evidente a necessidade de medidas que venham conter o abuso sexual infantil na sociedade brasileira. Por conseguinte, cabe ao governo federal juntamente ao ministério da saúde prestar acolhimento ao menor vítima de abuso sexual, por meio de programas de proteção às crianças e adolescentes que os levem para locais seguros de seus agressores e também aulas de educação sexual nas escolas, a fim de que a qualquer suspeita de abuso sexual a criança saiba identificar e comunicar aos adultos. Somente assim, o abuso sexual infantil no Brasil irá acabar.