Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil

Enviada em 07/05/2022

No filme “Forrest Gump - O contador de Histórias” a personagem Jenny é vítima de abuso sexual pelo pai durante a infância, ato que gerou diversos problemas na vida da personagem. Fora dos limites cinematográficos do filme, é notório que certa parcela das crianças brasileiras, assim como a Jenny, também são vítimas de abuso sexual, seja por familiares ou estranhos. Desse modo, faz-se urgente debater as causas vitais desse óbice: a ineficiência estatal e a negligência familiar.

Diante desse cenário, é pertinente afirmar que o desleixo do Estado é um impulsionador para a violência sexual contra crianças. A respeito disso, segundo a Constituição federal de 1988, todos os indivíduos têm direito à segurança, à dignidade e ao direito de ir e vir. Todavia, é perceptível que esse direito não é bem assegurado no Brasil, uma vez que ocorrem abusos sexuais na infância de certa parte da população. Ato esse que, de acordo com a Psicologia, pode ocasionar diversos traumas ao longo da vida das vítimas e dificuldade na comunicação e interação social. Desse modo, fica evidente a deligência em resolver esse problema.

Ademais, é válido salientar que o descuido da família é um sustentáculo para o abuso sexual infantil. Sobre isso, no livro “Sociedade do Cansaço”, escrito pelo filósofo coreano Byung Chul Han, as pessoas estão vivendo em uma “sociedade de desempenho”, onde se deve produzir cada vez mais e, por consequência, viver em uma era de super produção de trabalho. Ou seja, os pais e/ou responsáveis, estão inseridos de forma tão intensa nessa sociedade de desempenho, que acabam negligenciando a vida familiar e não notam que as crianças foram ou estão sendo vítimas de violência sexual, seja ela dentro de casa ou fora dela. Assim, fica explícito a urgência em cessar esse empecilho.

Infere-se, portando, a pressa em sanar esse dilema. Desse modo, o Estado - promotor do bem estar social- deve tornar as leis já existentes, sobre proteção à criança, mais rígidas, por meio do aumento da pena aos agressores, a fim de que as vítimas fiquem seguras e livres de seus abusadores. Somado à isso, a família, primeira sociedade do indivíduo, deve promover diálogos com os filhos, tempo de qualidade e lazer juntos, com intuito de criar confiança e laços familiares. Assim, casos como o da personagem Jenny seriam vistos apenas em filmes.