Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil
Enviada em 08/05/2022
No filme “Forrest Gump- O Contador de Histórias”, a personagem Jenny é vítima de abuso sexual pelo pai durante a infância, ato que gerou problemas na vida da personagem. Longe dos limites cinematográficos do filme, é notório que certa parcela das crianças brasileiras, assim como a Jenny, também são vítimas de abuso sexual, seja por familiares ou estranhos. Desse modo, faz-se urgente debater as causas vitais dessa problemática: a ineficiência estatal e o descuido familiar.
Diante desse cenário, é pertinente afirmar que o desleixo do Estado é um impulsionador para a violência sexual infantil. A respeito disso, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, garante a todos os indivíduos o direito a ter direitos. Todavia, a realidade brasileira vai contra tal afirmação, dado que o Poder estatal é falho em assegurar o direito à segurança e integridade as crianças, pois, geralmente, os agressores não são punidos e responsabilizados de forma correta e não é verificado se os mesmos estão cumprindo a pena de forma concreta. Desse modo, é crucial resolver esse problema.
Ademais, é válido salientar que a negligência da família é um sustentáculo para o abuso sexual contra crianças. Sobre isso, no livro “Sociedade do Cansaço” escrito pelo filósofo coreano Byung Chul Han, as pessoas estão vivem em uma “sociedade de desempenho”, onde se deve produzir cada vez mais e, por consequência, viver em uma era de super produção de trabalho. Ou seja, os pais e responsáveis estão inseridos de forma tão intensa nessa sociedade de desempenho, que acabam se descuidando da vida familiar e não percebendo que as crianças foram ou estão sendo abusadas sexualmente, seja dentro ou fora de casa.
Portanto, fica explícita a urgência em cessar o abuso sexual infantil. Desse modo, o Estado - promotor do bem-estar social - deve tornar as leis já existente, sobre proteção à criança, mais rígidas, por meio do aumento da pena aos agressores, a fim de que as vítimas fiquem seguras e livres de seus abusadores. Somado a isso, a família, primeira sociedade do indivíduo, deve promover diálogos e momentos de lazer com os filhos, com o intuito de criar confiança e laços familiares. Assim, casos como o da Jenny seriam vistos apenas nos filmes.