Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil

Enviada em 11/08/2022

Há alguns dias atrás uma atriz portuguesa postou uma foto no instagram de seu filho de apenas três anos beijando um “amiguinha” da mesma idade na boca. É claro que, essa foto gerou polêmica e repercussão nas redes sociais com tópicos como criança não namora. Entretanto, essa situação retrata perfeitamente como é difícil combater os abusos sexuais infantis, visto que existe uma erotização imposta às crianças desde cedo juntamente com uma falta de educação sexual.

Primeiramente, o olhar adulto sobre as crianças está sendo deturpado por um padrão sexual que erotiza crianças. Nesse sentido, observa-se que a pornografia estimula um modelo de corpo feminino: sem pelos, estrias, celulites e vaginas rosadinhas. Contudo, esse é o perfil de características adolescentes e não de mulheres. Isso corrobora para que os homens sintam-se atraídos por esse perfil e, em consequência, acabam buscando isso indo atrás de meninas cada vez mais novas. Logo, atrair olhares de cobiça sobre crianças que ainda não conseguem se proteger sozinhas é um absurdo, já que estimula os casos de abusos sexuais.

Ademais, a ausência de uma educação sexual nas escolas deixam as crianças ainda mais despreparadas para lidar com situações abusivas. Infelizmente, por causa de uma mentalidade social conservadora, muitos acreditam que falar sobre sexo estimula às crianças, quando na verdade, as ensinam como se proteger. Isso é extremamente importante, porque mais da metade dos abusos sexuais ocorrem nas suas próprias residências, segundo dados do Ministério da Saúde, ou seja, elas não estão seguras nem na própria casa. Assim, uma aula que as ensinassem a indentificar sinais ajudariam a pedir ajuda e evitar consequências mais graves.

Portanto, o desafio em se combater os abusos sexuais infantis está na sexualização precoce de crianças e na falta de uma educação sexual básica. Para reverter esse quadro, é fundamental que, o Ministério do Educação - responsavél pela elaboração da grade comum curricular nacional - instituir nas escolas, públicas e privadas, aulas de educação sexual, desde o nível fundamental, para ensinar as crianças como se protegerem, por meio de aulas didáticas e básicas, além de ter psicólogas infantis a disposição para lidar com denúncias que surgirem. Por fim, preservar e cuidar das crianças é essencial para o desenvolvimento de um país.