Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil
Enviada em 16/03/2023
“O Mito da Caverna”, de Platão, é uma parábola que ilustra uma sociedade que se recusa a saia de sua zona de conforto para encarar a realidade. Fora da narrativa, o Brasil se encontra em uma situação similar no que diz respeito à pedofilia, uma vez que não há esforço para mudar o tabu com educação sexual e a sexualização precoce que são as duas barreiras que dificultam a luta contra abuso sexual de jovens.
Nesse sentido, convém ressaltar o papel do estigma com educação sexual para menores de idade. Equivocadamente, muitos adultos acham que essas conversas irão estimular o pensamento vulgar em crianças e adolescentes, porém o objetivo principal dessa aula é conscientizar os jovens a respeito de sua anatomia, de proteção sexual e sobretudo de consentimento mútuo. Dessa forma, assim como dito pelo filósofo britânico Francis Bacon, conhecimento é poder, e um jovem munido de consciência sobre estupro está muito mais suscetível a denunciar do que um que não sabe reconhecer abuso sexual.
Ademais, admite-se também mencionar a participação da romantização de menores na cultura brasileira. Tal comportamento é visível nas músicas populares, nas quais os cantores descrevem ter relações sexuais com “novinhas” ou na vulgarização de adolescentes em filmes. Logo, enxerga-se que, se cada dia, os jovens estão sendo tratados mais como adultos o limite entre a pedofilia e um relacionamento normal fica cada vez mais borrado, banalizando assim o abuso sexual de menores de idade.
Em síntese, ao desmascarar o abuso sexual infantil encontra-se outros problemas que, enquanto não resolvidos, irão perpetuar a problemática em questão. Portanto, o Ministério da Educação cuja função é garantir a escolaridade para os cidadões, deveria promover seminários de educação sexual apropriado para cada idade, desde o ensino fundamental até o ensino médio. Visto que essa ação é possível por meio da contratação de palestrantes qualificados, a fim de alertar os jovens sobre o estupro, torna-se dever desse órgão governamental sair de sua zona de conforto para enfrentar a realidade de que todos merecem o poder do conhecimento.