Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil
Enviada em 22/06/2023
A obra literária “Lolita”, de Vladimir Nabokov, se passa na mente pedófila de seu protagonista Humbert, que sente uma indescritível atração por Dolores, sua enteada de 12 anos. Fora do campo literário, no Brasil, inúmeras crianças e adolescentes encontram-se vulneráveis e à mercê de predadores sexuais, assim como a personagem. Indubitavelmente, essa questão advém da normalização da erotização infantil pela mídia e é perpetuada pela falta de educação sexual no âmbito escolar.
A priori, a invalidação e erotização de corpos negros e indígenas ocorre desde o período colonial. Não obstante, esse estigmas históricos insistem permear a sociedade, principalmente com o avanço da tecnologia, onde grandes mídias lucram em cima da sexualização de corpos infantis. A exemplo disso, tem-se a cantora Melody que obteve fama dançando “funk” em redes sociais ainda quando criança. Esse viés contribui para a exploração do corpo infantil e se torna material de consumo para pedófilos.
Sob a mesma conjuntura, a banalização das práticas de ensino sexual em escolas contribui para uma maior vulnerabilidade social. Haja vista que o Brasil é o primeiro lugar em exploração infanto-juvenil na América Latina de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU). Mediante ao exposto, é iniludível a influência do corpo docente em identificar e reportar situações que afetam a integridade de seus alunos, evidenciando a premência de ações paliativas para mitigar os casos abrangentes.
Defronte a insegurança ao bem-estar infantil, urge que o Ministério da Educação em comunhão com mídias públicas promovam propagandas e palestras para instruir a descobertas de violência com crianças em escolas, a fim de garantir a segurança dos alunos por meio de conscientização. Somente assim, poder-se-á garantir os direitos vigentes no Estatuto da Criança e do Adolescente.