Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil

Enviada em 15/08/2023

No livro “O Cidadão de papel”, do jornalista Gilberto Dimenstein, a denúncia da ineficácia de diversos mecanismos legais é feita, evidenciando uma cidadania aparente — metáfora utilizada pelo autor. Nesse sentido, pode-se relacionar tal premissa ao que ocorre no Brasil, por exemplo, os desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil. Isso é causado pela irracionalidade e pela educação brasileira, fatos que perpetuam esse problema.

A princípio, conforme o conceito de “Banalidade do mal”, cunham pela filósofa Hannah Arendt, quando uma atitude hostil acontece constantemente, há a naturalização dos obstáculos por falta de reflexão. Destarte, isso evidencia a irracionalidade em relação ao não debate sobre o abuso infantil e seus desdobramentos. Efetivamente, isso ocorre, pois o governo balaniza a falta de informação acerca do abuso contra crianças e adolescentes, isto é, não elabora campanhas que visem informar como esse tipo de exploração sexual é praticada e de que maneira proceder. Diante dessa violação, por exemplo, não existe um disque denúncia e nem mesmo disseminação de documentários na TV e, por isso, muitas crianças não sabem que são vítimas desse grande empecilho social, configurando a trivialização da maldade, que, para Arendt é o vazio de pensamento. Consequentemente, isso gera uma violência velada (implícita) com essa parcela da sociedade e, até mesmo, sentimento de invisibilidade, motivado pela falta de amparo à paturiente.