Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil
Enviada em 15/08/2023
No livro “O Cidadão de papel”, do jornalista Gilberto Dimenstein, a denúncia da ineficácia de diversos mecanismos legais é feita, evidenciando uma cidadania aparente — metáfora utilizada pelo autor. Nesse sentido, pode-se relacionar tal premissa ao que ocorre no Brasil, por exemplo, os desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil. Isso é causado pela irracionalidade e pela educação brasileira, fatos que perpetuam esse problema.
A princípio, conforme o conceito de “Banalidade do mal”, trazido pela filósofa Hannah Arendt, quando uma atitude hostil ocorre constantemente, a sociedade passa a vê-la como banal. Desse modo, isso evidencia a irracionalidade em relação ao não debate sobre o abuso sexual infantil, configurando a trivialização da maldade que, para Arendt, ocorre quando há falta de reflexão sobre os males ao redor dos indivíduos. Nesse viés, percebe-se que a população normalizou o abuso contra crianças e adolescentes, isto é, não elabora campanhas que visem informar como esse tipo de exploração sexual é praticada e de que maneira proceder. Como consequência, isso gera uma violência velada (implícita) com essa parcela da população e, até mesmo, sentimento de invisibilidade, motivado pela falta de amparo.
Além disso, de acordo com o filósofo Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia, não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nesse viés, observa-se que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de informação da população a respeito da exploração sexual de crianças e adolescentes, infelizmente, silencia o assunto, já que — em redes sociais e programas de TV — não há propagandas que criminalizem os agressores e incentivem a população criar campanhas publicitárias contra o abuso sexual infantil. Consequentemente, a audiência em relação ao abuso e a exploração sexual contra crianças é diminuída e seu reconhecimento dentro da sociedade torna-se cada vez menor.
Portanto, fica a cargo das ONGs educacionais criarem campanhas informativas em plataformas de “streaming”, como YouTube, Netflix e telegram. Isso deve ocorrer por meio de curta-metragens e de vídeos lúdicos sobre os caminhos de combate ao abuso sexual infantil. Essa ação tem a finalidade de remediar não somente a irracionalidade, mas também a educação brasileira, contrapondo o elucidado por Arendt.