Desafios no combate aos crimes cibernéticos
Enviada em 25/10/2025
Na obra “A República”, o filósofo grego Platão idealiza Kallipolis, uma cidade marcada pela justiça e pela harmonia entre os cidadãos. Essa visão utópica orienta, há séculos, os esforços das sociedades em busca de equilíbrio coletivo. No entanto, mais de dois milênios após essa formulação, o combate aos crimes cibernéticos ainda representa, no Brasil, um desafio à efetivação da segurança digital. Diante desse cenário, a invisibilidade midiática e a negligência estatal configuram fatores que contribuem para o agravamento desse quadro.
De início, é imprescindível ressaltar a invisibilidade midiática como agravante do problema. A mídia, principal formadora de opinião pública, tende a dar visibilidade a crimes convencionais, deixando de abordar com a devida profundidade as práticas ilícitas no meio digital. Tal postura reduz a percepção social sobre os riscos e dificulta a prevenção desses delitos. Segundo Pierre Bourdieu, o poder simbólico da comunicação molda realidades — logo, a ausência de informação sobre o tema perpetua a vulnerabilidade dos usuários e o avanço das ações criminosas.
Ademais, a negligência estatal intensifica a situação. Apesar de o Brasil possuir legislações como o Marco Civil da Internet e a Lei Carolina Dieckmann, a aplicação dessas normas é limitada pela falta de investimento em tecnologia e capacitação de agentes públicos. Assim, o Estado, ao falhar em garantir a proteção digital dos cidadãos, contribui para a expansão da criminalidade virtual e a sensação de impunidade.
É evidente, portanto, que medidas concretas são necessárias para enfrentar o desafio. Diante disso, o Governo Federal, em parceria com o Ministério da Justiça e a Secretaria de Comunicação, deve promover campanhas midiáticas educativas sobre segurança digital e criar centros especializados em crimes cibernéticos, com profissionais capacitados. Tal ação tem o objetivo de fortalecer a prevenção e ampliar o acesso à informação, aproximando o Brasil dos ideais de justiça e segurança delineados por Platão.