Desafios no combate aos crimes cibernéticos
Enviada em 15/10/2020
Em 2011, um tunisiano ateou fogo ao próprio corpo, em forma de protesto, o que deu origem a um movimento conhecido como Primavera Árabe. O evento ganhou proporções mundiais devido às redes sociais, possibilitando mudanças significativas na região. Embora tenham sido criadas para promover a integração dos povos, as tecnologias são uma problemática no que tange aos crimes cibernéticos, cada vez mais recorrentes na hodiernidade. Faz-se necessário, portanto, debater os aspectos estruturais e sociais da questão, a fim de atenuá-los.
Diante desse cenário, é importante ressaltar os motivos que influenciam a maior ocorrência dos crimes no país, como a fragilidade tecnológica, por exemplo. As barreiras virtuais são insuficientes para impedir os ataques de “hackers” e, embora a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais tenha sido ratificada em 2018, o Brasil ainda é o quarto país com maior índice de crimes virtuais, segundo o Relatório de Ameaças à Segurança na Internet. Tais dados provam como a legislação mostra-se ineficiente, visto que o controle de atividade de contas na internet é dificultada pela amplitude do espaço cibernético, acentuando o entrave.
Por conseguinte, ainda convém lembrar como o descuido da população é um fator preponderante para o agravamento da questão, haja vista que a maior parte dos delitos é facilitada pela imprudência ao usar as redes. Devido à ausência de discussões acerca do tema, grande parcela da sociedade mantém-se alheia aos riscos de ataque, o que contribui para que este se perpetue. De acordo com o pensamento do filósofo alemão Arthur Schopenhauer, os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento acerca do mundo. Nota-se, assim, como a falta de debates cria “muros”, impedindo a diminuição da problemática.
É perceptível, dessa forma, que os crimes cibernéticos são um entrave na contemporaneidade e, por isso, é imprescindível que as escolas auxiliem na redução de casos, por meio de aulas direcionadas, nas quais profissionais qualificados expliquem aos alunos os riscos do uso imoderado das redes sociais, a fim de alertá-los. Ademais, é necessário que a mídia, como formadora de opinião, busque conscientizar seus telespectadores, por meio da abordagem do assunto em filmes e novelas, com o intuito de mitigar a ocorrência deste. Dessa maneira, será possível minimizar o problema, assegurando que as tecnologias possam ser utilizadas apenas em seus aspectos positivos, como observado na Primavera Árabe.