Desafios no combate aos crimes cibernéticos

Enviada em 17/10/2020

A Terceira Revolução Industrial possibilitou, no fim do século XX, a transição da era industrial para a era digital, uma conjuntura que fomentou inúmeros impactos na vida do ser humano, como se observa na disseminação do uso da internet no tecido social. No entanto, tal cenário também proporcionou o surgimento dos crimes cibernéticos. Desse modo, ao analisar os desafios no combate dessa prática, percebe-se que perpassam pela impossibilidade de coibir esse crime de forma isolado e pela prevalência do ensino tecnicista nas instituições escolares.

A princípio, conforme Émile Durkheim, “a sociedade pode ser comparada com um “corpo biológico”, por ser assim como essa: composta por partes que interagem entre si. Sob esse prisma, nota-se a dificuldade de combater os crimes cibernéticos sem verificar a postura do corpo social, dado que tal interação inviabiliza soluções de forma isoladas. Prova disso, observa-se que a criminalidade digital dialoga com atitudes instauradas no mundo real, como a intolerância e a falta de altruísmo. Dessarte, nota-se que a coibição dessa prática virtual depende, não são apenas da adoções de leis restritas, mas, principalmente de mudanças no comportamento social.

Ademais, segundo o pedagogo Paulo Freire, a educação transforma o ser humano e esse assim, torna-se capaz para mudar a sociedade. Nesse sentido, constata-se que as escolas representam o local propício para o desenvolvimento da cidadania. Consoante a isso, ao verificar os crimes cibernéticos, percebe-se uma instituição que não realiza a sua função. Isso é decorrência da prevalência do ensino tecnicista nesse ambiente, posto que tal educação não se ampara na realidade que o indivíduo está inserido e nas problemáticas que o cerca, mas sim, na formação de estudantes aptos para o mercado de trabalho. Diante disso, uma didática pedagógica que não estimula o olhar crítico do homem faz com que problemas sociais sejam uma tônica tanto no cenário real como o virtual.

Logo, é mister que o Estado mude esse quadro. Para tanto, cabe a esse órgão, mediante repasse de verbas públicas, traçar políticas que buscam combater a criminalidade digital. Nesse viés, tais programas criarão palestras nas instituições escolares relacionadas ao comportamento do homem na sociedade, as quais serão lecionadas por sociólogos e filósofos, por meio de obras de Durkheim, a fim de ensinar aos alunos que  tal prática criminosa não é coibida de forma isolada, mas  com uma conduta social que aponta para princípios de respeito e altruísmo. Assim, uma instituição escolar que fomenta a reflexão das ações do indivíduo permitirá a construção de uma sociedade que utiliza de forma saudável os meios oriundos da Terceira Revolução Industrial.