Desafios no combate aos crimes cibernéticos
Enviada em 24/10/2020
“Se as portas da percepção estivessem limpas, tudo apareceria para o homem tal como é: infinito”. Essa frase, do poeta britânico William Blake, permite ao leitor diversas interpretações, mas para um indivíduo do século XXI as portas da percepção podem ter sido abertas com o advento da era cibernética, contudo, as portas estão longes de estarem limpas. No que tange os crimes cibernéticos, a legislação no meio virtual é algo de difícil elaboração, por ser um ambiente de grande autonomia para pessoas e instituições; além disso, o combate muito agressivo aos crimes cibernéticos podem implicar em uma perda de muitas liberdades positivas ao local que conseguiu ser mais democrático em produções culturais e ideias.
O meio cibernético permitiu à poderosos influenciarem a vida política e social, tal fato é justificado pela autonomia e falta de legislação nesse ambiente. Nesse contexto, um exemplo marcante foi a venda de dados dos usuários do Facebook à empresa Cambridge Analytica, que culminou na manipulação da eleição de Donald Trump nos Estados Unidos, fato que gerou um grande alarde aos governos mundiais, pelo fato de nenhum país conseguir exercer um controle legal sobre as mídias sociais. Desse modo, ainda é uma incógnita estabelecer limites dentro do ambiente virtual, visto que rastros cibernéticos podem ser de difícil investigação e o sistema judiciário ainda é lento para conseguir acompanhar tal evolução.
Ademais, a falta de meios para frear os crimes cibernéticos pode gerar medidas desproporcionais pelos poderes jurídicos e estatais por parte das diversas nações e organizações mundiais. Nesse sentido, o historiador Eric Hobsbawm, em sua obra “Era dos Extremos”, compartilha os paradoxos iniciados no Século XX, ou seja, apesar dos avanços e liberdades conquistadas, o ser humano experimentou diversas vezes o sentimento de incerteza e governos autoritários. Dessa forma, o avanço tecnológico surge nesse contexto, no qual uma evolução acelerada pode acarretar medidas autoritárias dos governantes, o que proporcionará novamente sensações existenciais ambíguas, ao passo que ocorra uma severa evolução das mídias, porém uma falta de liberdade para acessá-las.
Dado o exposto, é necessário uma atuação dos governos mundiais, em parceria com grandes empresas e acadêmicos da área computacional, na promoção de uma legislação e tecnologias que atuem na investigação e condenação de criminosos na internet. Com isso, com apoio da própria tecnologia, os estados poderão atuar de maneira mais ágil nesses crimes, com auxílio das empresas que são plataformas para esses infratores e proporcionará investimentos ao setores acadêmicos. Só assim, combatendo as infrações cibernéticas, tudo irá ser infinito às capacidades humanas.