Desafios no combate aos crimes cibernéticos

Enviada em 20/10/2020

De acordo com Foucault, “A indigenciação é uma condição de anormalidade e alienação individual dentro da ordem coletiva quando implicada à uma trama social”. Fora da alusão, a realidade contemporânea caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito aos desafios no combate aos crimes cibernéticos. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar fatores como a má influência midiática e uma lacuna legislativa, além de explorar condutas conscientes por toda a população.

A princípio, considerando o atual panorama dos avanços tecnológicos refletido em uma manipulação pela esfera comunicativa digital, deve-se destacar a necessidade de um maior engajamento sociocultural. Nesse sentido, observa-se que, diante de sistemas excludentes fixados e, em particular, de distorções das concepções sociais, é inegável a presença de violações virtuais. Afinal, segundo Pierre Bourdieu, sociólogo francês, “O foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão”.

Outrossim, essa temática remete uma lentidão judiciária como produto da vacuidade de leis e normas acerca das infrações em redes. Para Hideraldo Montenegro, pensador brasileiro, nenhum estado pode ser justo se as leis que o compõe não vêm dos anseios populares. Desse modo, é preciso estar atento ao fato de que, além de suprimir a priorização dos interesses pessoais, a habilitação de regulamentações que debelem as hostilidades cometidas na internet requer a atenção responsável de todos os envolvidos nas dinâmicas estatais e judiciárias.

Portanto, mais do que um tema pertinente, os desafios no combate aos crimes cibernéticos representam grandes objeções. Para que cessem, o Poder legislativo, como setor de estado responsável por votar imposições e fiscalizar a execução destas, deve instituir parâmetros que certifiquem a livre circulação de ideias com resguardo adequado e, sobretudo, promover, em paralelo aos órgãos educativos, a valorização de profissionais que medeiem transformações coletivas. Para tanto, por meio de decretos atualizados com o cenário modernizado, bem como da inserção de debates civilizados em escolas e de exposições públicas, a fim de garantir um pluralismo essencial e diversidade de pensamentos protegidos. Ademais, a própria sociedade civil deve agir segundo a máxima que gostaria de ver modificada em lei universal por intermédio de princípios respeitosos. A partir dessas ações, espera-se propiciar melhores vivências latentes.