Desafios no combate aos crimes cibernéticos
Enviada em 21/10/2020
Datado da era iluminista, o filósofo inglês Thomas Hobbes era conhecido pelos pensamentos de que o Estado detinha como objetivo fundamental a segurança dos cidadãos. Semelhantemente, a Constituição Federal de 1988 garante aos brasileiros o direito pleno à inviolabilidade da privacidade, bem como à intimidade pessoal e o bem-estar. A realidade na internet, porém, é outra: quem se utiliza dela deve também se preocupar com os crimes cibernéticos, forma de delito que deve ser combatido. Um dos motivos para que esse tipo de infração aconteça é a falta de segurança nesse mundo virtual, bem como a quantidade exagerada de informações pessoais que são armazenadas em, por exemplo, redes sociais.
Em primeira análise, é importante ressaltar como, após a globalização e o surgimento desse “mundo conectado” que chamamos de internet, desde meados de 1980, com a Terceira Revolução Industrial, essa rede de informação vem sendo uma ferramenta fundamental para o ser humano. De acordo com Steve Jobs, inventor e fundador da Apple, a tecnologia move o mundo. Diante desse exposto, é racional pensar que seria seguro navegar na rede de dados. Todavia, a associação SaferNet Brasil, em parceria com o Ministério Público Federal (MPF), contabilizou pelo menos 366 crimes cibernéticos registrados por dia. Isso evidencia uma segurança frágil e fácil de ser penetrada, o oposto do que seria esperado seguindo a importância das informações que são registradas ali minuto por minuto.
Ademais, Zygmunt Bauman, filósofo e sociólogo polônes em sua obra “Modernidade Líquida” relata como vivemos em uma hipermodernidade em que nada existe para durar, sendo efêmero e tendo como consequência a existência das redes sociais, que agem de forma a potencializar o consumismo. Esse desejo de consumir exageradamente gera um acúmulo de informações pessoais em websites da internet como, por exemplo, Facebook, Instagram e Twitter, além como o vício a essas plataformas. Essas informações, posteriormente, podem sofrer de uma tentativa de violação diante da baixa segurança que essa mundo cibernético oferece.
Portanto, são necessárias medidas de intervenções para tratar a problemática retratada. Urge que o órgão da Polícia Federal em parceria com o Ministério do Trabalho crie cursos de capacitação sobre segurança de redes para a formação de profissionais qualificados, seguido da abertura de vagas na área para a garantia da melhora na segurança cibernética da população. Além disso, projetos de divulgação como panfletação e anúncios publicitários devem ser iniciados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública com o objetivo de alertar sobre os prejuízos da super exposição de dados nas redes sociais. Dessa forma, podem ser criadas ferramentas para desafiar os crimes cibernéticos.