Desafios no combate aos crimes cibernéticos

Enviada em 22/10/2020

Em um dos episódios da série britânica “Black Mirror”, um adolescente, ao navegar em um site pirata, clica em um link que permite que hackers tenham acesso à câmera de seu computador. Após gravarem um vídeo comprometedor do jovem, os malfeitores ameaçam compartilhar a todos os seus conhecidos, a menos que ele faça o que lhe for mandado. Fora das telas, é possível perceber que, com a ascensão da internet nos dias atuais, diversas pessoas têm a privacidade invadida por criminosos no meio tecnológico. Assim, é fulcral afirmar que a negligência do poder público e a falta de veículos de informação para o copo social contribuem para a perpetuação desse cenário negativo.

Em primeiro plano, é lícito postular a inoperância estatal como fator que contribui para que o índice de crimes cibernéticos aumente. Isso se deve ao fato de que o Governo investe de maneira ínfima na segurança tecnológica no Brasil, uma vez que essa realidade é evidenciada pela falta de uma legislação específica eficiente no país, pois, ao invadir um sistema privado sem causar prejuízo, segundo as leis federais, a pessoa responsável não comete um crime. Dessa forma, os usuários da internet ficam passíveis a se tornarem vítimas de ataques virtuais.

Outrossim, vale também ressaltar que o desconhecimento social atua como agravante da problemática supracitada. De acordo com Sócrates, os erros são consequência da ignorância humana. Sob esse raciocínio, a mínima preocupação, por parte da população, em proteger seus dados nos meios digitais se deve ao fato do pouco conhecimento da necessidade de tomar precauções ao inserir informações pessoais, como e-mails e senhas, em sites, o que torna essa parcela da sociedade mais suscetível a ataques de hackers, os quais aproveitam da baixa segurança. Desse modo, a inconsciência das pessoas em combater os crimes cibernéticos contribui para a sua perpetuação.

Verifica-se, por conseguinte, que medidas sejam tomadas com o intuito de se coibir o problema discorrido. Sendo assim, o Governo Federal, como instância máxima de administração executiva, deve criar mecanismos de proteção aos dados dos usuários da internet, por meio da implementação de leis que garantam punição aos indivíduos que tentem acessar essas informações privadas, com o objetivo de diminuir a quantidade de crimes cibernéticos no país. Ademais, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, juntamente com os veículos midiáticos, devem criar campanhas e anúncios - nas redes sociais, principalmente - que alertem a população dos perigos existentes no meio tecnológico, com o fito de conscientizá-las e, assim, tornar os ataques virtuais mínimos, a fim de que a situação vivida pelo personagem da série “Black Mirror” permaneça na ficção.