Desafios no combate aos crimes cibernéticos

Enviada em 24/10/2020

Na obra “Utopia” do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social caracteriza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o combate aos crimes cibernéticos apresenta barreiras, que dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da falta de regulamentação da internet, quanto da escassez de conhecimento da população.

Primeiramente, é imprescindível destacar que a falta de regulamentação dos meios digitais deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido a falta de atuação das autoridades, a falta de proteção dos dados dos usuários é consequência da ausência de leis que regulem como as empresas devem proteger as informações das pessoas. Por consequência, esse cenário facilita a ocorrência de crimes cibernéticos, como os roubos de materiais digitais.

Outrossim, cabe salientar que o descaso da população sobre os perigos que a internet possui, facilita a atuação dos criminosos. Desse modo, é notório que o uso dos meios tecnológicos necessita de cuidados, como o desenvolvimento de senhas forte e o conhecimento prévio sobre a segurança dos sites. Todavia, com a escassez de conhecimento das pessoas, juntamente com a carência da busca sobre como se proteger de cibercrimes , elas tornam-se “alvos fáceis” para a ocorrência de roubo de dados. Por conseguinte, esse tipo de ignorância dificulta o combate aos golpes digitais.

Portanto, é mister que, para atenuar a problemática, cabe ao Estado, em parceria com o Ministério da Justiça, regulamentar o uso dos meios digitais com a elaboração de um conjunto de leis, em que aborde de forma clara e objetivo como as empresas devem proteger os dados dos usuários, com o objetivo de reduzir a ocorrência de cibercrimes. Ademais, cabe ao Ministério da Educação implementar na grade comum curricular uma disciplina de informática, em que através de situações problemas e aulas práticas, aborde com os alunos os riscos de navegar na internet, a fim de desenvolver estudantes que saibam usufruir das tecnologias digitais. Nessa perspectiva, haverá uma sociedade que busca aproximar-se da ideia defendida no livro de More.