Desafios no combate aos crimes cibernéticos
Enviada em 26/10/2020
Com o objetivo de decifrar códigos enviados pelo exercito alemão durante a Segunda Guerra Mundial, Alan Turing, notável matemático britânico e o pai da computação, foi o responsável por criar a base da cibernética moderna, ao introduzir o conceito de algoritmo. Contudo, esses mesmos algoritmos que culminaram no final da Segunda Guerra, hoje são usados para roubar informações, aplicar golpes e cometer crimes, contribuindo para os desafios no combate aos crimes cibernéticos. Dentre os fatores que contribuem para a manutenção deste quadro, destaca-se a desinformação do usuário comum da internet, aliada a uma falta de capacitação dos agentes da lei.
Em primeiro lugar, é necessário ressaltar que a principal causa da quantidade exorbitante de crimes cibernéticos é a falta de instrução prática oferecida aos usuários comuns da internet para defender-se dos crimes praticados na rede. Enquanto a quantidade de propagandas enganosas que apresentam risco para o usuário é massiva, a quantidade e qualidade de informação acerca da proteção na internet é escassa. Serviços de proteção eficiente ao usuário possuem custos exorbitantes e não existem cursos disponíveis para usuários de idade avançada, que são as maiores vítimas dos crimes virtuais.
Em segundo lugar, cabe salientar que a maioria dos agentes públicos responsáveis pela proteção da lei não está aptos a exercer sua função adequadamente quando entram no território cibernético. Em 2014 nos Estados Unidos, a parceira entre a Interpol e a agencia de segurança virtual Kaspersky, visando a capacitação de agentes da lei americanos, promoveu um aumento 23% no número de crimes cibernéticos resolvidos. Portanto, é inquestionável que a falta de capacitação de agentes da lei auxilia na perpetuação dos crimes cibernéticos. O sentimento de proteção que o indivíduo sente ao andar na rua, protegido pela lei e pelos seus mantedores, deve ser o mesmo que sente ao navegar na internet.
Percebe-se, portanto, que há desafios que devem ser solucionados no que se refere ao combate aos crimes cibernéticos. É imperativo aos serviços de segurança nacional, realizar parcerias com empresas privadas de segurança virtual, visando a capacitação de profissionais qualificados para lidar com os crimes cibernéticos já existentes e evitar que novos ocorram. Além disso, cabe às faculdades públicas, incentivarem alunos bolsistas de cursos como ciência da computação e tecnologia da informação a criarem tutoriais e projetos que ensinem meios de defesa virtuais ao público geral, com foco à instrução de pessoas idosas. Para isso, veículos de informação virtual como sites e blogs visitados devem mostrar esses tutoriais em suas páginas principais, para que assim tenham o alcance desejado. Somente assim, será possível fazer com que os algoritmos de Turing cumpram o seu propósito: evitar que cidadãos sejam vítimas de ameaças desconhecidas.