Desafios no combate aos crimes cibernéticos
Enviada em 27/10/2020
Na obra “Utopia” do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, na sociedade contemporânea, o cenário é diferente, visto que ainda precisam ser discutidos os desafios para o combate aos crimes cibernéticos no Brasil. Desse modo, em razão não só da escassa abordagem da conjuntura, mas também da lacuna educacional, emerge um problema complexo que precisa ser resolvido.
Em primeira análise, é preciso salientar que a negligência do ambiente escolar é perpetuadora da problemática. Segundo o filosofo Kant, o ser humano é fruto da educação que teve. Nesse sentido, no que se refere aos crimes cibernéticos, verifica-se uma veemente influência dessa causa, já que a escola não vem cumprido seu papel no sentido de reverter o problema, uma vez que não tem trazido esses conteúdos para a sala de aula, em matérias já criadas como, Sociologia e Informática. Assim, enquanto as instituições de ensino — peças fundamentais na formação dos indivíduos — não elaborarem mecanismos que coíbam tal empecilho, a coletividade continuará sofrendo com esses entraves.
Além disso, outra causa para a configuração do problema é o silenciamento. Sob esse prisma, de acordo com Foucault, na sociedade pós-moderna vários temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Sob esse viés, nota-se uma lacuna em torno dos debates sobre os crimes praticados na internet, o que contribui com a falta de conhecimento da população sobre a questão, tornando sua resolução mais dificultada. Prova disso, em um levantamento feito pela associação SaferNet Brasil, em 2018, foi registrado um aumento de 110% no número de casos de delitos cibernéticos em relação ao ano anterior. Dessa forma, indubitavelmente, é imprescindível que medidas ajam na dissolução dessa mazela.
Faz-se necessária, portanto, uma intervenção. Destarte, é preciso que o Ministério da Educação e Cultura crie palestras nas escolas, por meio de verbas governamentais, com a finalidade de garantir que a educação tecnológica combata o silenciamento dos crimes cibernéticos no Brasil. Estas palestras devem conter depoimentos de pessoas que sofreram com esses tipos de delitos, e, ainda, a oferta de cartilhas, com dados estatísticos, aos pais e a população em geral, para que se conscientize todas as gerações de uma só vez. Assim, em médio a longo prazo, o corpo social brasileiro alcançará a Utopia de More.