Desafios no combate aos crimes cibernéticos
Enviada em 29/10/2020
A agenda ONU (Organização das Nações Unidas) 2030 é um plano de ação global composto por dezessete metas que visam melhorar o mundo, e uma de suas tarefas é a garantia de justiça. No entanto, o propósito torna-se inalcançável quando o assunto discutido são os desafios no combate aos crimes cibernéticos. Nesse sentido, o problema deriva do anonimato proporcionado pela internet e também da sua extrema valorização.
Em primeiro lugar, é fundamental pontuar que a não caracterização individual nos meios virtuais é um empecilho. Nessa perspectiva, de acordo com Pierre de Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Todavia, nota-se que, muitas vezes, a internet, cujo propósito é um meio para o compartilhamento de fatos e opiniões, torna-se um sistema de fácil acesso aos crimes cibernéticos, uma vez que seu caráter de anonimato oculta os criminosos que praticam roubos ou atos discriminatórios. Logo, é notória a dificuldade de combate aos atos ilícitos na internet, o que leva à opressão de cidadãos que são impostos por tais, já que, geralmente, não há penalidade para os criminosos e as vítimas não têm justiça.
Além disso, é imperativo ressaltar que a valorização dos meios virtuais contribui com a problemática. Nessa ótica, segundo Guy Debord, na obra “Sociedade do espetáculo”, na contemporaneidade existe uma supervalorização da dimensão virtual de comunicação, que é utilizada como instrumento de exibicionismo. Evidentemente, hodiernamente, a dependência da internet na vida social é extremamente alta e a exposição de fatos corriqueiros do dia a dia nas redes sociais é comum, porém tais informações disseminadas publicamente contribuem com crimes cibernéticos, visto que podem ser utilizadas em golpes ou planejamentos de furtos. Sendo assim, é visível que a valorização dos meios virtuais instiga a divulgação de fatos pessoais e contribui com o problema.
Portanto, urge que medidas sejam tomadas de modo a minimizar os impactos dos crimes cibernéticos. Certamente, para que o problema seja amenizado, faz-se necessário que o Estado, na condição de garantidor dos direitos individuais e sociais, crie propostas governamentais para combater os atos ilícitos nos meios virtuais. Isso será feito mediante a intensificação de tecnologias que rastreiem os criminosos nos meios cibernéticos e também de campanhas em massa que expõem os riscos corridos pelos usuários na divulgação de informações pessoais, o que irá diminuir as injustiças nesse âmbito e, por conseguinte, permitirá ser utilizada como instrumento de democracia. Dessa forma, pode-se chegar à realidade proposta pela ONU para 2030.