Desafios no combate aos crimes cibernéticos
Enviada em 28/10/2020
Na obra ‘‘Admirável Mundo Novo’’, escrita por Aldous Huxley, é representada uma sociedade distópica, na qual as classes dominantes empregam avançadas tecnologias para criar indivíduos geneticamente modificados, de modo a estabelecer um crime contra a humanidade. Analogamente, com a intensificação do uso da internet, os chamados crimes cibernéticos ganharam grandes proporções, principalmente pelo setor online ser usufruído de maneira inigualável hodiernamente. Por conseguinte, depreende-se a gama de estratégias utilizadas por esses criminosos e pelas mídias sociais, ao explorarem a fragilidade psicológica e educacional dos milhões de usuários online e, portanto, mudanças nessa conjuntura são exigidas.
Em primeiro plano, é imprescindível destacar a facilidade de manipulação comportamental dos indivíduos que utilizam a internet. Sob tal ótica, o documentário ‘‘O Dilema das Redes’’ mostra como as mídias sociais empreendem uma fácil manipulação de seus utentes, por meio de algoritmos que indicam a esses usuários o que deve ser visto e consumido, de modo a tornar explícita a fragilização da privacidade individual nesses mecanismos eletrônicos. Em virtude desse fato, é nítida a exploração de dados que esses serviços realizam, logo, mostra-se vigente a escassez de conscientização populacional sobre esses crimes.
Ademais, torna-se fulcral pontuar como a grande quantia de pessoas com acesso à internet contribui para os crimes cibernéticos. Sob esse prisma, o grande número de domicílios com acesso virtual, os quais, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, representam mais de setenta por cento dos domicílios nacionais, contribui para um uso indiscriminado da internet pela população, que se mostra isenta de ensinos sobre os possíveis crimes cibernéticos, como roubo de dados privados. Não obstante, no ano de 2018, foi sancionada a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), a qual entrou em vigor em 2020 e determina restrições na coleta de dados dos usuários online, fato que corrobora a necessidade de mudanças nesse âmbito.
Face a tais impasses, é mister que o Estado tome providências em relação aos entraves no combate aos crimes cibernéticos. Para isso, urge que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações crie, por meio de verbas governamentais, um projeto de conscientização dentro das redes sociais e dos mecanismos virtuais, que consista em educar os usuários da internet sobre o comportamento virtual e os perigos dos crimes online. Tal projeto deve conter um anúncio nas plataformas digitais que busque alertar sobre o poder dos dispositivos eletrônicos e, consequentemente, contribuir para que se mitigue esses crimes, com o auxílio da LGDP. Só assim, ter-se-á realidade distinta à distopia de Huxley.